sexta-feira, 12 de agosto de 2016

TUDO ACABA PASSANDO.

Bate-nos, às vezes, uma tristeza, um desapontamento com a vida. Aprendi que num momento desses, se olhamos para algo da natureza a alegria invade de novo o coração. Pode ser apenas levantar os olhos e observar uma nuvem na tela azul do céu, ou um bem-te-vi cantando num galho de uma solitária árvore de rua.

O livro Brumas do Passado fala de um momento assim vivido pela personagem (p. 118): “Tinha uma quantidade de ideias que não compreendia bem. Então, às vezes, a verdade me aprecia em um lampejo que me assustava e surpreendia ao mesmo tempo. Lembro-me de um dia em que voltava para casa ao cair da tarde. A estrada passava por um trecho cheio de árvores e me peguei observando o sol se insinuando entre os troncos escuros. Como iluminava um grupo de galhos fazendo cintilar a resina que escorria da casca e dando um brilho de aço as folhagens mais ao alto. Porém, conforme caminhava o sol parecia andar comigo deixando a sombra envolver aquela árvore e iluminando outra. Num desses lampejos de compreensão que temos muito raramente entendi no fundo do coração que é assim que acontece com a humanidade toda. Percebi que é o que sucede quando uma pessoa fica muito famosa ou rica. Não demora muito tempo e ela vai para o esquecimento ou perde sua fortuna. Assim é a vida, os raios de sol ora aquecem um ora outro e deixa este na sombra e amanhã aquele”.

Sendo assim, não vale a pena termos inveja de quem tem muito nem nos orgulharmos quando chega nossa vez de possuir ou conquistar algo. Tudo acaba passando.  

terça-feira, 28 de junho de 2016

DELAÇÃO PREMIADA – O CONTRA SENSO

Não é de agora que se aceita e usa esse atraiçoar relações de confiança. Em todos os momentos de crua decadência, de completa falta de ética, em uma sociedade voltada para o consumismo e cultura sem valor e dominada pela corrupção, a delação é premiada.
Acabei de ler o livro Eu, Claudius, o Imperador e quando ele descreve o governo de Tibério César, diz (p. 173): “Tibério fez decretar que se alguém fosse acusado como culpado de conspiração contra o Estado, seriam os seus bens confiscados e repartidos entre seus acusadores. Proliferou então uma classe de delatores profissionais, que podiam à vontade maquinar acusações. Assim, os verdadeiros dossiês criminais tornaram-se supérfluos”. Está vendo como os delatores levavam vantagens?
Outro tempo caótico foi o de Calígula. A amoralidade dominava todas as relações (p. 289): “Aqueles dias de folgança doidas acabaram por secar o Tesouro. Ele tinha agora, para arranjar dinheiro, meios muito engenhosos, por exemplo, reduzia famílias a escravidão à força de multas e confiscos, mandando cidadãos para combater contra gladiadores no anfiteatro. Mas um dia seu tesoureiro veio anunciar-lhe que não restava no Tesouro mais que um milho de peças de ouro [no início de seu governo havia 27 milhões]. Calígula decidiu que não valia a pena fazer economia, era preciso aumentar a receita. Começou a negociar cargos e monopólios e admitiu que delatores acusassem cidadãos ricos de crimes reais ou imaginários, a fim de confiscar-lhes os bens”. 


Temos de escapar desta crise de imoral vaidade que agride as famílias. Parece tão difícil uma volta à ética e a razão

domingo, 12 de junho de 2016

OUTRA CARTA DE RUI BARBOSA

Meses antes do impeachment era comum ver pessoas falando sobre a necessidade da volta dos militares ao poder para nos vermos livres do PT. Essa troca de um mal pelo outro foi comentada há muito tempo por Rui Barbosa.
Estou lendo A Primeira República e nele encontrei à p. 47: “Considerei toda esta noite no assunto que ontem de tarde me vieram submeter, oferecer ao ilustre Marechal Hermes da Fonseca a Presidência da República. Supor que uma crise política desta natureza, puramente doméstica, não se possa resolver senão com o nome do chefe do Exército, seria fazer uma grave injustiça à condição de nosso regime, à índole dos nossos costumes e aos sentimentos do nosso povo. Já lá vão 14 anos de existência da República, a aclamação da candidatura do Ministro da Guerra seria, a meu ver, um retrocesso. Por que regressarmos ao governo militar? Não descubro motivo para nos resignarmos à solução que amigos nossos reputam inevitável”.
Rui Barbosa foi contra a volta dos militares ao poder.
Mas então ele lança um desejo, que também é nosso: “Precisamos de um nome político verdadeiramente popular, realmente nacional, de um nome sério, digno, benquisto que reuniria todos os elementos dissidentes. Teríamos então, pela primeira vez, o espetáculo do povo brasileiro concorrendo efetivamente às urnas, para sufragar nosso primeiro magistrado”. Rio, 19 de maio de 1909.
Onde está este homem íntegro e ilibado?


Faz-me lembrar o que enfatizou o papa João Paulo II em uma de suas visitas ao Brasil: Os brasileiros devem buscar seriamente a santificação.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

DEU NO JORNAL

“A nossa honra de povo livre, os nossos brios de povo independente e nossa própria conservação reclamam, de nós, nesta hora de suprema privações e ignomínias, toda energia e todos os sacrifícios. A terra gloriosa de nossos avós, nossa amada Pátria, outrora invejada pelo estrangeiro como uma das mais felizes do mundo, está transformada em lodaçal. Vede como a perversidade de homens sem patriotismo, sem obediência moral e afeitos ao crime, desfigurou a nossa grandeza, desbaratou a nossa riqueza, na orgia infernal que nos deprime e avilta.
Contemplai a miserável situação em que nos achamos. Fora do país, de bárbaros é a nossa fama. O Governo Brasileiro foi proclamado o mais corrupto da Terra! A União atrasa pagamentos e os Estados já não podem pagar o funcionalismo público e fecham escolas porque o dinheiro do imposto escasseia, enquanto a ganância dos larápios aumenta desmedidamente numa fúria diabólica”
- Isso é que coisa de O Globo, Zéadal.


Este editorial está transcrito no livro A Primeira República, de Edgard Carone, e foi publicado no jornal Correio da Manhã, em 25/08/1902.
Ô País sem jeito, minha gente!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

CAVALGANDO COM O PRÍNCIPE

Meu amigo Beckmann Pithany é um gaúcho que ama caminhadas. Talvez por isso mesmo tenha se interessado muito pela viagem do príncipe regente D. Pedro à São Paulo, quando deu o grito da Independência. Pesquisou vários livros e fez uma narrativa tranquila que, nesses nossos dias corridos, acalma e nos faz refletir.

Entre as coisas que aprendi e me chamaram a atenção nele está o caráter do nosso jovem príncipe. Tinha 23 anos, era casado e tinha uma filha, e carregava sobre os ombros os problemas desse nosso imenso país. O relato baseado em documentos oficiais é meio frio, mas Beckmann desenterrou algumas atitudes do príncipe que nos dão uma imagem mais humana do moço.
Em 1822, o Brasil tinha 300 anos, a população dividia-se em duas correntes que se tornaram partidos políticos: os portugueses, gente que vinha da Europa para servir aqui, e brasileiros, de famílias que já estavam nesta terra por várias gerações e que não aceitavam ser governados por cortes no estrangeiro. A vida de D. Pedro corria perigo. Mas quando começou sua jornada para São Paulo sua comitiva demonstra sua autoconfiança (p. 27):

“Era madrugada, dia 14 de agosto de 1822, e o Palácio de São Cristóvão estava envolto em espessa neblina. Não havia ninguém na rua, o silêncio reinava absoluto e no meio da névoa surge seis cavaleiros”. O príncipe não levava soldados para protege-lo. Ele era assim, de grande autoconfiança. Isto se confirmou quando ele pousou em Lorena. Na manhã seguinte, o sexto dia da viagem (p. 50): “Sua Alteza mandou dispensa a Guarda de Honra destinada a acompanha-lo, composta de 32 praças”.
Mesmo com tão poucos acompanhantes, D. Pedro gostava de cavalgar sozinho, ia na frente dos companheiros. Foi assim que em Silveira – estava programado de almoçarem na fazenda Pau-D’álho – ele chegou na frente gritando, ô de casa. Quando lhe atenderam não se apresentou, disse apenas que estava morto de fome. Serviram-lhe a comida na cozinha (p. 46): “Quando os integrantes da comitiva chegaram e foram convidados a entrar, a proprietária perguntou olhando aqueles rapazes [ todos tinham em torno de 20 anos]: qual de vós sois o príncipe? Então o adiantado visitante respondeu detrás do fogão: sou eu”.

No nono dia da marcha chegaram em Jacareí, o arraial ficava do outro lado do rio Paraíba. Entraram na balsa para fazer a travessia e D. Pedro via a multidão apinhada lhe esperando (p. 64): “O príncipe lançou-se com cavalo e tudo nadando até a margem. Molhado até a cintura, apeando do animal, quis saber se alguém coincidia com sua altura e peso. Apresentou-se o jovem Adriano de Pindamonhangaba. O príncipe então lhe falou: Troca de roupa comigo?” Era assim, intempestivo e brincalhão.
Devia ser muito legal fazer uma viagem com o príncipe.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

O socialismo nunca vai aprender a governar bem

A REVOLUÇÃO COMUNISTA DE 1917
Sempre aprendi assim e com essa informação eu e todo mundo que estuda um pouco passou a admirar e ter medo dos soviéticos. Só agora vim ler uma descrição dos eventos que aconteceram no decorrer daquele ano contado por um homem que viveu então e foi um dos principais articuladores da Revolução, Leon Trotsky.

Governava a Rússia o Csar Nicolau II, o sanguinário, um absolutista que tomou uma decisão errada após outra. Entrar na 1ª Guerra Mundial foi a gota d’água. Foi preso, em 15 de março e obrigado pelos revoltosos a abdicar.
- Os comunistas?
Não, os socialistas. No livro Como Fizemos a Revolução, Leon diz (p. 13): “O Partido Socialista Revolucionário tinha como chefes políticos oriundos da classe média que tinham subido àquelas alturas devido ao apoio dos soldados, enquanto os membros da classe operária estavam reprimidos”.
No 1º Congresso Soviético, em 23 de junho, os líderes bradavam: “Prescindi da burguesia, abandonai toda ideia de coligação e tomai nas vossas mãos as rédeas do Estado”.
Os socialistas, maioria no governo revolucionário, endureceram: “O ministério intensificou a repressão, proibiu a publicação de artigos comunistas e estabeleceu a pena de morte contra quem fizesse propaganda política”.
Isto deu mais gás aos comunistas (p. 38): “Os soviéticos não ficaram silenciosos. Nos panfletos produzidos às escondidas animava o povo a apoiar os grupos comunistas em cada cidade, prometia aos camponeses a distribuição das terras e aos operários a direção das indústrias”.
Os socialistas não conseguiam fazer uma boa administração: “A desorganização do exército, o caos na distribuição de alimentos e a revolução agrária criava uma atmosfera de revolta”.
Foi então, já ao final do ano, em novembro, que apoiados pela Marinha e por parte do Exército os soviéticos tomaram o poder (p. 46): “Entendemos firmemente que um governo comunista somente seria possível com métodos radicais. Impunha-se arrancar a autoridade das mãos daqueles que se mostravam incapazes de governar bem e já começavam a causar graves estragos ao país”.
É pessoal, como diz meu grande amigo Marcus, o socialismo nunca vai aprender a governar bem um país. E não foi dito e feito com os PTralhas?

terça-feira, 3 de maio de 2016

A discórdia está acesa.

O poeta romano Virgílio viveu no século I a.C 

e morreu quando Maria de Nazaré, Nossa Senhora, nascia. Escreveu o poema Eneida, a epopeia da fundação de Roma por troianos que escaparam da destruição de Troia pelos gregos. Na edição que estou lendo o professor Paulo Matos Peixoto, faz uma ressalva: “O poema há de ser apreciado dentro do sentido panteísta que animava a civilização romana do seu tempo, tudo era atribuído à influência dos vários deuses que governavam o mundo”.
À página 180 um espírito maligno chamado Alecto se ufana, dizendo: “A discórdia está acesa e a guerra furiosa! E ainda posso espalhar a loucura por toda a zona circunvizinha e realizar alianças com ambos os partidos e, então, toda a Itália pegará fogo e nos seus filhos, de corações inflamados nascerá o desejo da guerra insana”.
Como diz minha neta Pâmela, como o homem deixou de acreditar naqueles deuses também deixará de crer nos demônios. Mas como diziam os antigos espanhóis, segundo Cervantes em Dom Quixote: Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay ...  
Tudo o que estamos vendo ser exposto pela justiça federal, a incrível roubalheira que se apossou do Brasil, não pode ser creditada só à falta de ética, à má educação, à falta de reverência ao Criador e ao apelo insistente do mundo exibicionista e egoísta pós-moderno. Com certeza existem seres puramente interessados em nos ver sofrer e morrer horrendamente. Então, é ficar vigilante, protegendo o coração e dominando nossas vontades. Siga esta admoestação do apóstolo Pedro (1 Pedro 5:8): “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”.

Não acredita, não?!