
Disse tudo isto a propósito das palavras da socióloga Eva Blay: “Ódio e vingança. Os homens se preparam para dominar e matar as mulheres”. A violência contra mulher acontece em 29% dos lares nas cidades, na zona rural está em 37%. Em cada três casas, uma não é um lar, é um poço de ódio, um criadouro de seres humanos descontrolados e violentos. Quem quer criar para o mundo um indivíduo que será conhecido como um mau pai, um péssimo marido e um sujeito que vai tornar o mundo um pouco pior? Então, mesmo depois que ele deixa a casa paterna ainda precisamos estar de olhos e ouvidos abertos para saber o que os filhos e genros estão fazendo. A Dra. Eva diz: “Dificilmente o homem vai matar de cara. Ele ofende, xinga, quebra o prato de comida. Depois vai bater para não deixar marca. E isto vai piorando”. Os filhos casados ainda são responsabilidade nossa. Se eles se tornam maus não educamos direito. Educar não é só chamar atenção e muito menos brigar ou bater. Conversar (ouvir e falar) é bom, compartilhar emoções (é o que a maioria dos marginais da vida correta mais sentem necessidade) é melhor e dar o exemplo é o grande lance. Um filho nosso precisa ter uma cabeça boa. Eva avisa que o homem violento em casa não tem uma correta visão da vida: “Na cabeça deste homem ele está educando a mulher dele”, na base da porrada. Um cara que não queria que fosse meu filho, disse na delegacia da Mulher: “Quando ela estava grávida do meu filho, também bati mas não na barriga [que sujeito bonzinho!]. Bati nela grávida dos dois, mas, na barriga, só quando estava grávida da menina”. O que fazer num caso destes? Alguma coisa tem de ser feita pelo pai se não somos tão pirados quanto ele. Eva ensina: “A violência conjugal é uma relação entre dois sujeitos e temos de entendê-los”. Quer dizer ajudá-los a se entenderem, primeiro consigo mesmo.
Da mesma forma com nossas filhas. Precisamos prepará-las para jamais aceitar o desrespeito. O conselho de Cristo de dar a outra face não é de forma alguma para continuar num mesmo vínculo que foi quebrado quando o desajustado levantou a mão para ela. De forma alguma ela pode deixar a casa dos pais pensando em viver com um homem para tentar consertá-lo. E se forçar a saída de casa para tentar ter uma vida melhor que com os pais, então fizemos nossa obrigação toda errada. A socióloga diz: “A violência no lar é uma questão emocional. Porque não é uma negociação de troca, é uma negociação de poder. No caso de Eloá [aquele seqüestro que abalou o país], Lindemberg só queria uma coisa: que ela se submetesse a ele”. E o cara não teve um pai que se apercebesse disto e o ajudasse.





