terça-feira, 4 de outubro de 2016

COMO DEVIA SER E ACABA NÃO SENDO

"Há na multidão que povoa um país, quatro categorias:
todos os habitantes;
os adultos com direito a voto;
os homens e mulheres que tem consciência dos seus deveres e direitos e lutam por eles;
e aqueles, investidos de cultura intelectual e moral, com espírito elevado e que são capazes de sobrepor aos seus interesses próprios ou partidários, o destino de dirigir a multidão".
O poeta Olavo Bilac no livro A Defesa Nacional, de 1916.

- Zé, então ele não conheceu o Lula e essa porcalhada de políticos!

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

LI UM NEGÓCIO QUE ME DEU UM ESTALO

Sabe a Bolsa Família? Pois é, em 1915, sob a presidência de Venceslau Brás, o governo inventou de criar o Serviço Militar Obrigatório, sabe para quê? Foi o que li, escrito por Alberto Torres: "Como meio de revigoramento do espírito cívico de nossos jovens, para lhes dar disciplina patriótica e para lhes exaltar a coragem e a energia moral".
Mas por que nossos jovens precisavam disso? Ele continua: "O Brasil é a pátria de uma população sem nexo social, um acampamento de gerações sem herança de bens e de bons costumes, uma feitoria de aventureiros. Um país em que sua gente morre na miséria enquanto uns poucos ganham riqueza com a falência de seu destino moral".
Então, por que a elite tem essas ideias salvadoras como o Bolsa Família? Diz ele: "É o impulso reflexo, descoordenado. Ninguém está disposto a repor a mente da Nação". Mas, por que? "Em uns o egoísmo ou o exclusivismo do partido, em outros a incapacidade de decidir e de agir".
O mundo fala da alegria e despreocupação deste povo maravilhoso, mas é aí que mora o perigo.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

BASTAM POUCAS PALAVRAS

"Nosso partido promete pugnar por dois princípios em que se firmam a Democracia: respeito a liberdade individual e a difusão do ensino público.
Prometemos ainda levantar o crédito público equilibrando o orçamento, animar a iniciativa individual e restaurar a confiança no trabalho.
Sobretudo prometemos: firmar as liberdades constitucionais recuperando o respeito à lei e o prestígio à autoridade.
Essas são as melhores condições para assegurar a Ordem e o Progresso".
Manifesto do Partido Republicano, em 1893 - tirado do livro A Primeira República.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

TUDO ACABA PASSANDO.

Bate-nos, às vezes, uma tristeza, um desapontamento com a vida. Aprendi que num momento desses, se olhamos para algo da natureza a alegria invade de novo o coração. Pode ser apenas levantar os olhos e observar uma nuvem na tela azul do céu, ou um bem-te-vi cantando num galho de uma solitária árvore de rua.

O livro Brumas do Passado fala de um momento assim vivido pela personagem (p. 118): “Tinha uma quantidade de ideias que não compreendia bem. Então, às vezes, a verdade me aprecia em um lampejo que me assustava e surpreendia ao mesmo tempo. Lembro-me de um dia em que voltava para casa ao cair da tarde. A estrada passava por um trecho cheio de árvores e me peguei observando o sol se insinuando entre os troncos escuros. Como iluminava um grupo de galhos fazendo cintilar a resina que escorria da casca e dando um brilho de aço as folhagens mais ao alto. Porém, conforme caminhava o sol parecia andar comigo deixando a sombra envolver aquela árvore e iluminando outra. Num desses lampejos de compreensão que temos muito raramente entendi no fundo do coração que é assim que acontece com a humanidade toda. Percebi que é o que sucede quando uma pessoa fica muito famosa ou rica. Não demora muito tempo e ela vai para o esquecimento ou perde sua fortuna. Assim é a vida, os raios de sol ora aquecem um ora outro e deixa este na sombra e amanhã aquele”.

Sendo assim, não vale a pena termos inveja de quem tem muito nem nos orgulharmos quando chega nossa vez de possuir ou conquistar algo. Tudo acaba passando.  

terça-feira, 28 de junho de 2016

DELAÇÃO PREMIADA – O CONTRA SENSO

Não é de agora que se aceita e usa esse atraiçoar relações de confiança. Em todos os momentos de crua decadência, de completa falta de ética, em uma sociedade voltada para o consumismo e cultura sem valor e dominada pela corrupção, a delação é premiada.
Acabei de ler o livro Eu, Claudius, o Imperador e quando ele descreve o governo de Tibério César, diz (p. 173): “Tibério fez decretar que se alguém fosse acusado como culpado de conspiração contra o Estado, seriam os seus bens confiscados e repartidos entre seus acusadores. Proliferou então uma classe de delatores profissionais, que podiam à vontade maquinar acusações. Assim, os verdadeiros dossiês criminais tornaram-se supérfluos”. Está vendo como os delatores levavam vantagens?
Outro tempo caótico foi o de Calígula. A amoralidade dominava todas as relações (p. 289): “Aqueles dias de folgança doidas acabaram por secar o Tesouro. Ele tinha agora, para arranjar dinheiro, meios muito engenhosos, por exemplo, reduzia famílias a escravidão à força de multas e confiscos, mandando cidadãos para combater contra gladiadores no anfiteatro. Mas um dia seu tesoureiro veio anunciar-lhe que não restava no Tesouro mais que um milho de peças de ouro [no início de seu governo havia 27 milhões]. Calígula decidiu que não valia a pena fazer economia, era preciso aumentar a receita. Começou a negociar cargos e monopólios e admitiu que delatores acusassem cidadãos ricos de crimes reais ou imaginários, a fim de confiscar-lhes os bens”. 


Temos de escapar desta crise de imoral vaidade que agride as famílias. Parece tão difícil uma volta à ética e a razão

domingo, 12 de junho de 2016

OUTRA CARTA DE RUI BARBOSA

Meses antes do impeachment era comum ver pessoas falando sobre a necessidade da volta dos militares ao poder para nos vermos livres do PT. Essa troca de um mal pelo outro foi comentada há muito tempo por Rui Barbosa.
Estou lendo A Primeira República e nele encontrei à p. 47: “Considerei toda esta noite no assunto que ontem de tarde me vieram submeter, oferecer ao ilustre Marechal Hermes da Fonseca a Presidência da República. Supor que uma crise política desta natureza, puramente doméstica, não se possa resolver senão com o nome do chefe do Exército, seria fazer uma grave injustiça à condição de nosso regime, à índole dos nossos costumes e aos sentimentos do nosso povo. Já lá vão 14 anos de existência da República, a aclamação da candidatura do Ministro da Guerra seria, a meu ver, um retrocesso. Por que regressarmos ao governo militar? Não descubro motivo para nos resignarmos à solução que amigos nossos reputam inevitável”.
Rui Barbosa foi contra a volta dos militares ao poder.
Mas então ele lança um desejo, que também é nosso: “Precisamos de um nome político verdadeiramente popular, realmente nacional, de um nome sério, digno, benquisto que reuniria todos os elementos dissidentes. Teríamos então, pela primeira vez, o espetáculo do povo brasileiro concorrendo efetivamente às urnas, para sufragar nosso primeiro magistrado”. Rio, 19 de maio de 1909.
Onde está este homem íntegro e ilibado?


Faz-me lembrar o que enfatizou o papa João Paulo II em uma de suas visitas ao Brasil: Os brasileiros devem buscar seriamente a santificação.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

DEU NO JORNAL

“A nossa honra de povo livre, os nossos brios de povo independente e nossa própria conservação reclamam, de nós, nesta hora de suprema privações e ignomínias, toda energia e todos os sacrifícios. A terra gloriosa de nossos avós, nossa amada Pátria, outrora invejada pelo estrangeiro como uma das mais felizes do mundo, está transformada em lodaçal. Vede como a perversidade de homens sem patriotismo, sem obediência moral e afeitos ao crime, desfigurou a nossa grandeza, desbaratou a nossa riqueza, na orgia infernal que nos deprime e avilta.
Contemplai a miserável situação em que nos achamos. Fora do país, de bárbaros é a nossa fama. O Governo Brasileiro foi proclamado o mais corrupto da Terra! A União atrasa pagamentos e os Estados já não podem pagar o funcionalismo público e fecham escolas porque o dinheiro do imposto escasseia, enquanto a ganância dos larápios aumenta desmedidamente numa fúria diabólica”
- Isso é que coisa de O Globo, Zéadal.


Este editorial está transcrito no livro A Primeira República, de Edgard Carone, e foi publicado no jornal Correio da Manhã, em 25/08/1902.
Ô País sem jeito, minha gente!