sábado, 5 de setembro de 2009

Dura Lex


Quando o presidente Luis Inácio em recente discurso declarou enfaticamente que os procuradores da República deviam zelar pela biografia tanto deles mesmos quanto da dos acusados me acudiu o que Emanuel Kant falou sobre a lei no seu livro Crítica da Razão Prática: "A razão prática causa prejuizo ao amor próprio pelo fato de apenas conceder-lhe os limites justos que correspondem a lei moral, estando, ainda antes da mesma se manifestar, natural e viva dentro de nós mesmos. Ela abate completamente a presunção, pelo fato de que todas as reivindicações feitas por nossa autoestima e contrárias a ela são nulas e ilegítimas, porquanto uma resolução em acordo com esta lei é precisamente a condição de todo o valor da pessoa".
Um cidadão que ainda está sendo investigado e julgado realmente ainda merece algum respeito. Acontece que a Justiça brasileira ainda está amarrada por burocracias processuais demoradas e um um homem indigno afronta a sociedade espalhando um péssimo exemplo. Assim a exposição pública de provas contundentes feita pela imprensa faz a sociedade prejulgar o indivíduo como um fora da lei e considerá-lo como indigno de qualquer respeito e talvez mantenha as engrenagens da Justiça se movendo.

Como diz Kant, "a lei é a própria causa da nossa liberdade e é assim digna de respeito e tudo que a contraria, a saber, as inclinações em nós ela enfraquece na medida em que ela abate e humilha; ela é o objeto do maior respeito".
A liberdade e a vida segura de cada cidadão é garantida pela lei, então temos de abaixar nossas cabeças e restringir nossa vontade diante dela e só levantarmos a cabeça diante da lei quando exigirmos que ela garanta nossos direitos. Um corrupto não pode andar de cabeça erguida no meio da sociedade.
O filósofo diz algo muito sério sobre nossa relação com a lei: "Há algo de tão singular na estima ilimitada para com a lei moral cuja voz faz tremer até o mais audacioso malfeitor indicando que este sentimento está inseparavelmente ligado a uma representação da lei dentro de todo ser racional finito e seria inútil tentar descobrir uma ligação entre este respeito e alguma coisa em nós. Não é nem da ordem do prazer nem da ordem do sofrimento o que, no entanto, produz em nós o interesse pelo cumprimento da lei".

É algo inerente no ser humano, como o impulso de adorar a Deus, temer a lei.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Não há quietude na matéria


Quando olhamos para o céu noturno, cintilando de estrelas, a Lua prateando nosso mundo e o Sol lá do outro lado iluminando a Terra, tudo parece tão quieto, feito a muito tempo e agora em descanso. Mas quando olhos atentos examinaram os corpos celestes perceberam um movimento intenso e coisas novas surgindo a todo momento. Agora, com poderosos telescópios espaciais, como o Spitzer da NASA, os astrônomos presenciam cataclismos poderosos no Universo. Recentemente encontraram provas de uma colisão de alta velocidade entre dois planetas em torno de uma estrela jovem. Os astrônomos dizem que eram corpos rochosos, um era pelo menos tão grande como a nossa Lua e outro no mínimo tão grande como o Mercúrio. O embate jogou o menor dentro do outro, a alguns milhares de anos atrás - pelas normas cósmicas isto não foi há muito tempo. O impacto destruiu o corpo menor, vaporizando enormes quantidades de rocha e lançando plumas maciças de lava quente para o espaço. Detectores de infravermelhos do Spitzer foram capazes de reconhecer as assinaturas da rocha vaporizada, juntamente com pedaços de lava. "Esta colisão teve enorme e incrivelmente alta velocidade para rocha ter sido vaporizada e derretida," disse Carey M. Lisse do laboratório de Física Aplicada da universidade Johns Hopkins. "É um evento raro e de curta duração, crítico na formação de planetas e luas. Tivemos sorte de assistir esta colisão não muito depois que ela aconteceu."

Ele disse que este choque cósmico é semelhante ao que formou a nossa Lua a mais de 4 bilhões anos atrás, quando um corpo do tamanho de Marte abalroou a Terra. As origens do nosso sistema solar são ricas em histórias semelhantes de destruição. Impactos gigantes despiram Mercúrio de sua crosta exterior e jogou Vênus para trás. Essa violência é um aspecto rotineiro na edificação dos planetas. Planetas rochosas se formam e crescem em tamanho. Colisões arrumam o conjunto, mesclam seus núcleos e modificam suas superfícies. Embora tais eventos radicais tenham diminuído no nosso sistema solar, hoje, impactos ainda ocorrerem, tal como foi observado no ano passado quando um pequeno objeto do espaço atingiu o enorme Júpiter.

Lisse e sua equipe observaram este choque nos planetas que orbitam a estrela chamada HD 172555, que é cerca de 12 milhões de anos mais velha que o Sol. Os astrônomos utilizaram um espectrógrafo sobre o telescópio Spitzer para dividir o espectro de luz da estrela e procurar por impressões digitais dos produtos químicos. O que eles descobriram foi muito estranho. "Nunca tinha visto nada assim antes. O espectro foi muito raro". Após análise cuidadosa, investigadores identificaram grandes porções de sílica amorfa, que aparecem comumente no vidro derretido. Sílica encontra-se na Terra em rochas de Obsidiana. Obsidiana é vidro vulcânico preto, brilhante. Também foram detectadas grandes quantidades de monóxido de silício orbitando, provavelmente da rocha vaporizada. Sua velocidade de colisão deve ter sido enorme. Os dois estariam viajando a uma velocidade relativa ao outro de pelo menos 34,800 quilômetros por hora antes da colisão. O Spitzer já encontrou rescaldos de grandes impactos de asteróides, mas não encontrou provas para o mesmo tipo de violência – rocha derretida e vaporizada. Em vez disso, foram observadas grandes quantidades de poeira e cascalho, indicando que as colisões poderiam ter sido mais lentas.
Viu? Quando olhar para o céu de noite, lembre-se que a criação continua, aliás, nada termina, tudo é eterno.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Os Devotados Alquimistas


A preponderância do espírito (razão) sobre a matéria se percebe quando, ao folhear a história, demoramos nosso olhar nas vidas de homens e mulheres incomuns, que viveram como se fossem incumbidos de uma missão, qual seja, ajudar no aprimoramento da raça humana. Debruçados horas e horas e anos seguidos, sobre seus livros de anotações e realizando intermináveis experimentos eles, os alquimistas, foram descobrindo nas terras e rochas de nosso planeta bens maravilhosos que mentes superiores idealizaram numa engenharia de longuíssimo tempo e que estavam a nossa disposição, aguardando apenas a chegada deles, dos alquimistas.
Os primeiros surgiram entre os árabes e começaram a descobrir as preciosidades escondidas no solo da Terra, os elementos. O ferro, o cobre, o cloro, o magnésio e outros e mais outros - hoje se conhece 102 elementos. Os alquimistas descobriram com o precioso tempo de suas vidas as propriedades de cada um deles e como utiliza-los para o bem humano. Zózimo foi um deles.
Alquimista grego da cidade de Panápoles divergiu dos estudos preferidos por seus compatriotas – a matemática e os esquemas abstratos – e enveredou pela química, influenciado por livros que falavam dos egípcios e seus esforços de preservar o corpo humano pela mumificação. Ele escreveu uma coleção de 28 livros reunindo os estudos gregos feitos à época de Alexandre sobre os rituais químicos dos egípcios que incluía o conceito sagrado chamado Khemia, escrito numa linguagem incompreensível para um não iniciado. Ele relata que o conceito de transformar qualquer metal em ouro ou prata, numa mistura de minerais com substâncias orgânicas, foi dado aos homens pelos anjos decaídos que contaram esse segredo a suas mulheres ou, conforme outra corrente, este conhecimento foi dado a homens escolhidos pelo deus Hermes (ou Tot para os egípcios) em rituais muito secretos; de onde a expressão “hermeticamente fechada”. Zózimo usava a destilação, a sublimação e a coagulação, mas entendia que os metais deviam ser trabalhados em consonância com os planetas que os guiavam, por ex.: a prata devia ser trabalhada com a Lua em determinada fase e mexer com o cobre requeria que Vênus estivesse em determinada quadratura. A Alquimia caldaica misturava as experimentações químicas com a astrologia. Reunindo tanto a química experimental como a magia, a alquimia atraiu cientistas e aproveitadores e foi proscrita por inúmeros governos da Idade Média. http://www.members.tripod.com/alkimia/origem_p3.htm

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sonhos, corpos estranhos


Estou lendo Interpretação dos Sonhos, transcrição de um seminário dirigido por Jung em 1923. Explicando o valor dos sonhos, ele disse: "Corpo e mente, ou alma, são o mesmo, a mesma vida, sujeitos às mesmas leis, e o que o corpo faz está acontecendo na mente. Os conteúdos de um inconsciente neurótico são corpos estranhos, não assimilados, artificialmente cindidos, e devem ser integrados de modo a se tornarem normais. Suponhamos que algo muito desagradável tenha me acontecido e eu não o admito, talvez uma mentira terrível. Eu tenho que admiti-la. A mentira está lá objetivamente, seja no consciente ou no inconsciente. Se eu não admitir isto, se eu não o assimilei, isto se torna um corpo estranho e formará um abscesso no inconsciente, e o mesmo processo de supuração do corpo começa, psicologicamente. Eu terei sonhos, ou, se introspectivo, uma fantasia vendo a mim mesmo como criminoso. O que farei com estes sonhos ou fantasias? Pode-se rejeitá-los, como o fariseu, e dizer 'graças aos céus, eu não sou assim'. Há um fariseu assim em cada um de nós que não quer ver o que ele é. Mas se eu reprimir minhas fantasias acerca disso, elas formarão um novo foco de infecção, assim como uma substância estranha pode causar um abscesso em meu corpo. Quando sou razoável tenho que admitir a mentira, engoli-la. Se eu admiti-la, assimilo aquele fato, adiciono-o à minha constituição mental e psicológica; eu normalizo minha constituição inconsciente assimilando fatos. O sonho é uma tentativa de nos fazer assimilar coisas ainda não digeridas. Assim sendo, somos informados por nossos sonhos sobre todas as coisas que vão mal em nossa psicologia, em nosso mundo subjetivo, as coisas que devíamos saber sobre nós mesmos. É uma tentativa de cura".
Assim quando sonhamos algo desagradável é importante pensar sobre a mensagem contida nele. Nesta vida corrida que levamos não buscamos momentos para refletir sobre o que fizemos durante o dia ou para analisarmos coisas que nos aconteceram, como um sonho, e o que podemos aprender com elas. Os antropólogos contam que os índios, pela manhã, quando fazem a primeira refeição, contam o que sonharam aquela noite e discutem o que significam, que avisos receberam, além do que o grupo familiar fica se conhecendo melhor e com o interesse que os laços de sangue proporciona podem se ajudar.
Quem faz trilha de bicicleta, em certos momentos pedalando sozinho, tem um tempo precioso para meditar e analisar seus sonhos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Confissões


Leia estas palavras de Jung em Interpretação dos Sonhos e perceba que idéia espetacular:
"A análise é análoga à confissão, e a confissão tem sido sempre coletiva e deve ser coletiva; não é feita para alguém em si, sozinho, mas para o bem da coletividade, por um propósito social. A consciência social de alguém está com problemas e força-o a confessar; através de pecado e segredo alguém é excluído, e quando confessa é incluído novamente. O que mais ocorre na vida com uma tribo primitiva é esse sentimento de estar na corrente da vida coletiva. Em circunstâncias primitivas pode-se discutir qualquer coisa, qualquer coisa pode ser dita a qualquer um. Quando um homem diz que sua esposa dormiu com outro homem, isto é nada - toda esposa tem feito isso. Ou se uma mulher diz que seu homem fugiu com uma garota de outra vila, isso é nada - todos sabem que todo homem tem feito isso. Estas pessoas não excluem umas às outras pelo segredo, elas conhecem-se umas às outras e assim conhecem a si mesmas, estão vivendo em uma corrente coletiva. Sente-se que nossas cidades são um mero conglomerado de grupos, cada homem tem seu próprio círculo, e não se aventura a revelar-se mesmo a este, ele procura esconder até de si mesmo. E é tudo uma questão de ilusão. Os assim chamados amigos íntimos não conhecem as coisas mais importantes uns a respeito dos outros. Um paciente homossexual disse-me quantos amigos ele tinha. 'Tenho cerca de cinco amigos íntimos'. 'Eu suponho que você é homossexual com seus amigos íntimos'. Ele ficou chocado com a idéia, ele esconde isso deles. Este esconder dos amigos destrói a sociedade".
Jung lembra que foi isto mesmo o que os apóstolos ensinaram: "confessem suas faltas, uns aos outros". Pode parecer impossível de se fazer, vai complicar tudo, mas não foi sempre o que aprendemos com nossa mãe: "a mentira tem pernas curtas"?
Mas o que Jung diz a seguir é uma condenação que vai parecer estranha:"Esta sociedade humana será novamente construída, depois do encerramento da era protestante, com sua idéia de que temos de viver sem pecado. A idéia da confissão sendo um dever coletivo é uma tentativa do inconsciente para criar a base de uma nova coletividade. Ela não existe agora".

sábado, 1 de agosto de 2009

Os políticos


Raça de homens maus! E são nossos filhos, sairam do seio da sociedade, que afinal sou eu e você. Os políticos são alguns de nós. Já nascem com este gene dominante, ou talento, ou culpa, sei lá. Mas são amorais. Não caia nessa de que tendo se desenvolvido em um meio - dos metalúrgicos ou dos médicos, por exemplo - será bom. Um político é sempre a banda podre de sua classe. Nem escolha aquele - porque é nossa obrigação escolhe-los, inventamos isso desde o princípio do mundo - que é religioso, que resa diante de nós, contrito, na praça ou na televisão. Não deixe este fato lhe escapar, ele é um político, um principe, uma potestade má. Lendo Emanuel Kant nos damos conta que só existe um força para controlar o sem vergonha, o aproveitador, aquele que nasceu com esta missão, ou pior, aquele que fez da vida de político o seu destino. Só o que pode manietar sua mão rapace - com cinco, quatro ou seis dedos - é a lei.

"Dever! Ó nome sublime e grande, tu que não encerras nada de agradável, nada que implique que alguém se deixe persuadir pela lisonja, mas que exige submissão, que pões uma lei que por si mesma encontra acesso ao espírito, e conquista, ainda mesmo contra nossa vontade, uma lei diante da qual se calam todas as inclinações, mesmo quando agem secretamente contra ela".

Então, vamos meter a lei em cima deles! Mas não espere que eles mesmos acionem a lei contra um dos seus. Aquilo ali, o antro deles, é uma panela cheia de tudo quanto é ruim. Nós, os cidadãos, quem os escolheu, mesmo que amemos a sua figura, afinal sairam de nosso meio, não fiquemos só assistindo seus desmandos pela televisão, acionemos a justiça contra eles, movamos uma ação popular, porque só tem este modo de parar seus malfeitos, a lei.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Evangelho de Maria Madalena (fragmento)


Acabei de ler um livro apócrifo, o evangelho segundo Maria Madalena. É pequeno porque só foi encontrado um fragmento do manuscrito.

O ser humano sempre foi muito inventivo e nos primeiros cem anos depois da ascensão de Jesus alguns de seus seguidores escreveram o que se dizia sobre o Mestre e qo ue mais lhe tocava o coração, misturando estes ditos com seus próprios pensamentos. Lembre que não era fácil escrever naquele tempo, poucos sabiam ler e escrever e o material precisava ser preparado pelo próprio escritor: o estilete, geralmente um bambu fino com ponta que era molhada em tinta, e este líquido, preparado por ele mesmo, precisava ser uma mistura que aderisse e não soltasse do pergaminho que podia ser um pedaço de pano ou de couro bem delgado; não dava para sair de casa e simplesmente comprar na papelaria. Escrever uma história sobre Jesus ou qualquer outro tema exigia um forte desejo do candidato a escritor. Depois de pronta ele mandava o escrito para outro cristão, em outra cidade, que compartilhava de suas idéias - isto exigia encontrar alguém que estivesse em viagem para aqueles lados. Se este outro fosse tocado pelo que continha naquela missiva fazia, repetindo todo aquele trabalho, uma cópia e mandava para outrem. Só chegaram até nós, dois mil anos depois, os documentos que tinham muitas cópias e ainda assim faltando muitos pedaços.

No interim a igreja cristã já organizada escolheu durante o segundo século depois de Cristo as cartas que melhor expressavam o sentimento da comunidade dos seguidores de Jesus de Nazaré que estavam espalhados, desde a Judéia, para todos os pontos cardeais. Foram escolhidos quatro evangelhos e todos os outros foram considerados apócrifos, o que no entender dos bispos, cristãos proeminentes de então (preocupados em manter coeso os ensinamentos do rabi que a inventividade e as diferenças de personalidade estavam fazendo periclitar) significava esconjurar. Foi ruim para a humanidade? No meu entender foi o que tinha de ser, mas uma idéia fica incubada como um vírus ou, dizendo de outro modo, fica escondida como um tesouro até o tempo certo de despertar ou aparecer. É o caso do evangelho apócrifo de Madalena. Agora, em um tempo no qual as mulheres ganham destaque ou recuperam sua condição de liderança que desfrutaram na época em que o matriarcado era moda, muitos estudiosos começam a acreditar que Maria Madalena foi uma líder naquele primeiro grupo cristão, é o que diz este pequeno manuscrito. Nele está escrito as palavras derradeiras do Messias : "Quando o Filho de Deus assim falou, saudou a todos dizendo: 'A Paz esteja convosco. Recebei minha paz. Tomai cuidado para que ninguém vos afaste do Caminho, dizendo: 'Por aqui' ou 'Por lá', pois o Filho do Homem está dentro de vós. Segui-o. Quem o procurar, o encontrará. Prossegui agora, então, pregai o Evangelho do Reino. Não estabeleçais outras regras, além das que vos mostrei, e não as instituais como legislador, senão sereis cerceados por elas'. Após dizer tudo isso, partiu.
Mas eles estavam profundamente tristes. E falavam: 'Como vamos pregar aos gentios o Evangelho do Reino do Filho do Homem? Se eles não o pouparam, vão poupar a nós?' Maria Madalena se levantou, cumprimentou a todos e disse a seus irmãos: "Não vos lamentais nem sofrais, nem hesiteis, pois sua graça estará inteiramente convosco e vos protegerá. Antes, louvemos sua grandeza, pois Ele nos preparou e nos fez homens.' Após Maria ter dito isso, eles entregaram seus corações a Deus e começaram a conversar sobre as Palavras do Salvador.
Pedro disse a Maria: 'Irmã, sabemos que o Salvador te amava mais do que qualquer outra mulher. Conta-nos as palavras do Salvador, as de que te lembras, aquelas que só tu sabes e nós nem ouvimos'. Maria Madalena respondeu dizendo: 'Esclarecerei a vós o que está oculto'. E ela começou a falar essas palavras: 'Eu tive uma visão do Senhor e contei a Ele: 'Mestre, apareceste-me hoje...'".

E ela conta umas palavras estranhas diferente das que conhecemos ditas pelo Filho do Homem. O pequeno documentos conta que o mesmo Pedro discorda do que ela fala e diz não acreditar que o Mestre tenha lhe dito isto, porém Mateus defende a mulher e termina assim: "Levi respondeu a Pedro: 'Pedro, sempre foste exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como adversário. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador a conhece bem. Daí a ter amado mais do que a nós. É, antes, o caso de nos envergonharmos e assumirmos o Homem Perfeito e nos separarmos, como Ele nos mandou, e pregarmos o Evangelho, não criando nenhuma regra ou lei, além das que o Salvador nos legou.'
Depois que Levi disse essas palavras, eles começaram a sair para anunciar e pregar".
Bem este pequeno documento apócrifo não muda nada, mas me parece ser mais um avanço do ser humano no longo caminho que viemos percorrendo para nos conhecermos e entendermos a melhor forma de nos relacionarmos, especialmente com os do outro sexo.
Foi o que Madalena disse num trecho de discurso: "O que me subjugava foi eliminado e o que me fazia voltar foi derrotado..., e meu desejo foi consumido e a ignorância morreu. No mundo fui libertada de outro mundo; de um tipo fui libertada para um tipo celestial e também dos grilhões do esquecimento, que são transitórios. Daqui em diante, alcançarei em silêncio o final do tempo propício, do reino eterno'. Depois de ter dito isso, Maria se calou".