sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Os Devotados Alquimistas


A preponderância do espírito (razão) sobre a matéria se percebe quando, ao folhear a história, demoramos nosso olhar nas vidas de homens e mulheres incomuns, que viveram como se fossem incumbidos de uma missão, qual seja, ajudar no aprimoramento da raça humana. Debruçados horas e horas e anos seguidos, sobre seus livros de anotações e realizando intermináveis experimentos eles, os alquimistas, foram descobrindo nas terras e rochas de nosso planeta bens maravilhosos que mentes superiores idealizaram numa engenharia de longuíssimo tempo e que estavam a nossa disposição, aguardando apenas a chegada deles, dos alquimistas.
Os primeiros surgiram entre os árabes e começaram a descobrir as preciosidades escondidas no solo da Terra, os elementos. O ferro, o cobre, o cloro, o magnésio e outros e mais outros - hoje se conhece 102 elementos. Os alquimistas descobriram com o precioso tempo de suas vidas as propriedades de cada um deles e como utiliza-los para o bem humano. Zózimo foi um deles.
Alquimista grego da cidade de Panápoles divergiu dos estudos preferidos por seus compatriotas – a matemática e os esquemas abstratos – e enveredou pela química, influenciado por livros que falavam dos egípcios e seus esforços de preservar o corpo humano pela mumificação. Ele escreveu uma coleção de 28 livros reunindo os estudos gregos feitos à época de Alexandre sobre os rituais químicos dos egípcios que incluía o conceito sagrado chamado Khemia, escrito numa linguagem incompreensível para um não iniciado. Ele relata que o conceito de transformar qualquer metal em ouro ou prata, numa mistura de minerais com substâncias orgânicas, foi dado aos homens pelos anjos decaídos que contaram esse segredo a suas mulheres ou, conforme outra corrente, este conhecimento foi dado a homens escolhidos pelo deus Hermes (ou Tot para os egípcios) em rituais muito secretos; de onde a expressão “hermeticamente fechada”. Zózimo usava a destilação, a sublimação e a coagulação, mas entendia que os metais deviam ser trabalhados em consonância com os planetas que os guiavam, por ex.: a prata devia ser trabalhada com a Lua em determinada fase e mexer com o cobre requeria que Vênus estivesse em determinada quadratura. A Alquimia caldaica misturava as experimentações químicas com a astrologia. Reunindo tanto a química experimental como a magia, a alquimia atraiu cientistas e aproveitadores e foi proscrita por inúmeros governos da Idade Média. http://www.members.tripod.com/alkimia/origem_p3.htm

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sonhos, corpos estranhos


Estou lendo Interpretação dos Sonhos, transcrição de um seminário dirigido por Jung em 1923. Explicando o valor dos sonhos, ele disse: "Corpo e mente, ou alma, são o mesmo, a mesma vida, sujeitos às mesmas leis, e o que o corpo faz está acontecendo na mente. Os conteúdos de um inconsciente neurótico são corpos estranhos, não assimilados, artificialmente cindidos, e devem ser integrados de modo a se tornarem normais. Suponhamos que algo muito desagradável tenha me acontecido e eu não o admito, talvez uma mentira terrível. Eu tenho que admiti-la. A mentira está lá objetivamente, seja no consciente ou no inconsciente. Se eu não admitir isto, se eu não o assimilei, isto se torna um corpo estranho e formará um abscesso no inconsciente, e o mesmo processo de supuração do corpo começa, psicologicamente. Eu terei sonhos, ou, se introspectivo, uma fantasia vendo a mim mesmo como criminoso. O que farei com estes sonhos ou fantasias? Pode-se rejeitá-los, como o fariseu, e dizer 'graças aos céus, eu não sou assim'. Há um fariseu assim em cada um de nós que não quer ver o que ele é. Mas se eu reprimir minhas fantasias acerca disso, elas formarão um novo foco de infecção, assim como uma substância estranha pode causar um abscesso em meu corpo. Quando sou razoável tenho que admitir a mentira, engoli-la. Se eu admiti-la, assimilo aquele fato, adiciono-o à minha constituição mental e psicológica; eu normalizo minha constituição inconsciente assimilando fatos. O sonho é uma tentativa de nos fazer assimilar coisas ainda não digeridas. Assim sendo, somos informados por nossos sonhos sobre todas as coisas que vão mal em nossa psicologia, em nosso mundo subjetivo, as coisas que devíamos saber sobre nós mesmos. É uma tentativa de cura".
Assim quando sonhamos algo desagradável é importante pensar sobre a mensagem contida nele. Nesta vida corrida que levamos não buscamos momentos para refletir sobre o que fizemos durante o dia ou para analisarmos coisas que nos aconteceram, como um sonho, e o que podemos aprender com elas. Os antropólogos contam que os índios, pela manhã, quando fazem a primeira refeição, contam o que sonharam aquela noite e discutem o que significam, que avisos receberam, além do que o grupo familiar fica se conhecendo melhor e com o interesse que os laços de sangue proporciona podem se ajudar.
Quem faz trilha de bicicleta, em certos momentos pedalando sozinho, tem um tempo precioso para meditar e analisar seus sonhos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Confissões


Leia estas palavras de Jung em Interpretação dos Sonhos e perceba que idéia espetacular:
"A análise é análoga à confissão, e a confissão tem sido sempre coletiva e deve ser coletiva; não é feita para alguém em si, sozinho, mas para o bem da coletividade, por um propósito social. A consciência social de alguém está com problemas e força-o a confessar; através de pecado e segredo alguém é excluído, e quando confessa é incluído novamente. O que mais ocorre na vida com uma tribo primitiva é esse sentimento de estar na corrente da vida coletiva. Em circunstâncias primitivas pode-se discutir qualquer coisa, qualquer coisa pode ser dita a qualquer um. Quando um homem diz que sua esposa dormiu com outro homem, isto é nada - toda esposa tem feito isso. Ou se uma mulher diz que seu homem fugiu com uma garota de outra vila, isso é nada - todos sabem que todo homem tem feito isso. Estas pessoas não excluem umas às outras pelo segredo, elas conhecem-se umas às outras e assim conhecem a si mesmas, estão vivendo em uma corrente coletiva. Sente-se que nossas cidades são um mero conglomerado de grupos, cada homem tem seu próprio círculo, e não se aventura a revelar-se mesmo a este, ele procura esconder até de si mesmo. E é tudo uma questão de ilusão. Os assim chamados amigos íntimos não conhecem as coisas mais importantes uns a respeito dos outros. Um paciente homossexual disse-me quantos amigos ele tinha. 'Tenho cerca de cinco amigos íntimos'. 'Eu suponho que você é homossexual com seus amigos íntimos'. Ele ficou chocado com a idéia, ele esconde isso deles. Este esconder dos amigos destrói a sociedade".
Jung lembra que foi isto mesmo o que os apóstolos ensinaram: "confessem suas faltas, uns aos outros". Pode parecer impossível de se fazer, vai complicar tudo, mas não foi sempre o que aprendemos com nossa mãe: "a mentira tem pernas curtas"?
Mas o que Jung diz a seguir é uma condenação que vai parecer estranha:"Esta sociedade humana será novamente construída, depois do encerramento da era protestante, com sua idéia de que temos de viver sem pecado. A idéia da confissão sendo um dever coletivo é uma tentativa do inconsciente para criar a base de uma nova coletividade. Ela não existe agora".

sábado, 1 de agosto de 2009

Os políticos


Raça de homens maus! E são nossos filhos, sairam do seio da sociedade, que afinal sou eu e você. Os políticos são alguns de nós. Já nascem com este gene dominante, ou talento, ou culpa, sei lá. Mas são amorais. Não caia nessa de que tendo se desenvolvido em um meio - dos metalúrgicos ou dos médicos, por exemplo - será bom. Um político é sempre a banda podre de sua classe. Nem escolha aquele - porque é nossa obrigação escolhe-los, inventamos isso desde o princípio do mundo - que é religioso, que resa diante de nós, contrito, na praça ou na televisão. Não deixe este fato lhe escapar, ele é um político, um principe, uma potestade má. Lendo Emanuel Kant nos damos conta que só existe um força para controlar o sem vergonha, o aproveitador, aquele que nasceu com esta missão, ou pior, aquele que fez da vida de político o seu destino. Só o que pode manietar sua mão rapace - com cinco, quatro ou seis dedos - é a lei.

"Dever! Ó nome sublime e grande, tu que não encerras nada de agradável, nada que implique que alguém se deixe persuadir pela lisonja, mas que exige submissão, que pões uma lei que por si mesma encontra acesso ao espírito, e conquista, ainda mesmo contra nossa vontade, uma lei diante da qual se calam todas as inclinações, mesmo quando agem secretamente contra ela".

Então, vamos meter a lei em cima deles! Mas não espere que eles mesmos acionem a lei contra um dos seus. Aquilo ali, o antro deles, é uma panela cheia de tudo quanto é ruim. Nós, os cidadãos, quem os escolheu, mesmo que amemos a sua figura, afinal sairam de nosso meio, não fiquemos só assistindo seus desmandos pela televisão, acionemos a justiça contra eles, movamos uma ação popular, porque só tem este modo de parar seus malfeitos, a lei.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Evangelho de Maria Madalena (fragmento)


Acabei de ler um livro apócrifo, o evangelho segundo Maria Madalena. É pequeno porque só foi encontrado um fragmento do manuscrito.

O ser humano sempre foi muito inventivo e nos primeiros cem anos depois da ascensão de Jesus alguns de seus seguidores escreveram o que se dizia sobre o Mestre e qo ue mais lhe tocava o coração, misturando estes ditos com seus próprios pensamentos. Lembre que não era fácil escrever naquele tempo, poucos sabiam ler e escrever e o material precisava ser preparado pelo próprio escritor: o estilete, geralmente um bambu fino com ponta que era molhada em tinta, e este líquido, preparado por ele mesmo, precisava ser uma mistura que aderisse e não soltasse do pergaminho que podia ser um pedaço de pano ou de couro bem delgado; não dava para sair de casa e simplesmente comprar na papelaria. Escrever uma história sobre Jesus ou qualquer outro tema exigia um forte desejo do candidato a escritor. Depois de pronta ele mandava o escrito para outro cristão, em outra cidade, que compartilhava de suas idéias - isto exigia encontrar alguém que estivesse em viagem para aqueles lados. Se este outro fosse tocado pelo que continha naquela missiva fazia, repetindo todo aquele trabalho, uma cópia e mandava para outrem. Só chegaram até nós, dois mil anos depois, os documentos que tinham muitas cópias e ainda assim faltando muitos pedaços.

No interim a igreja cristã já organizada escolheu durante o segundo século depois de Cristo as cartas que melhor expressavam o sentimento da comunidade dos seguidores de Jesus de Nazaré que estavam espalhados, desde a Judéia, para todos os pontos cardeais. Foram escolhidos quatro evangelhos e todos os outros foram considerados apócrifos, o que no entender dos bispos, cristãos proeminentes de então (preocupados em manter coeso os ensinamentos do rabi que a inventividade e as diferenças de personalidade estavam fazendo periclitar) significava esconjurar. Foi ruim para a humanidade? No meu entender foi o que tinha de ser, mas uma idéia fica incubada como um vírus ou, dizendo de outro modo, fica escondida como um tesouro até o tempo certo de despertar ou aparecer. É o caso do evangelho apócrifo de Madalena. Agora, em um tempo no qual as mulheres ganham destaque ou recuperam sua condição de liderança que desfrutaram na época em que o matriarcado era moda, muitos estudiosos começam a acreditar que Maria Madalena foi uma líder naquele primeiro grupo cristão, é o que diz este pequeno manuscrito. Nele está escrito as palavras derradeiras do Messias : "Quando o Filho de Deus assim falou, saudou a todos dizendo: 'A Paz esteja convosco. Recebei minha paz. Tomai cuidado para que ninguém vos afaste do Caminho, dizendo: 'Por aqui' ou 'Por lá', pois o Filho do Homem está dentro de vós. Segui-o. Quem o procurar, o encontrará. Prossegui agora, então, pregai o Evangelho do Reino. Não estabeleçais outras regras, além das que vos mostrei, e não as instituais como legislador, senão sereis cerceados por elas'. Após dizer tudo isso, partiu.
Mas eles estavam profundamente tristes. E falavam: 'Como vamos pregar aos gentios o Evangelho do Reino do Filho do Homem? Se eles não o pouparam, vão poupar a nós?' Maria Madalena se levantou, cumprimentou a todos e disse a seus irmãos: "Não vos lamentais nem sofrais, nem hesiteis, pois sua graça estará inteiramente convosco e vos protegerá. Antes, louvemos sua grandeza, pois Ele nos preparou e nos fez homens.' Após Maria ter dito isso, eles entregaram seus corações a Deus e começaram a conversar sobre as Palavras do Salvador.
Pedro disse a Maria: 'Irmã, sabemos que o Salvador te amava mais do que qualquer outra mulher. Conta-nos as palavras do Salvador, as de que te lembras, aquelas que só tu sabes e nós nem ouvimos'. Maria Madalena respondeu dizendo: 'Esclarecerei a vós o que está oculto'. E ela começou a falar essas palavras: 'Eu tive uma visão do Senhor e contei a Ele: 'Mestre, apareceste-me hoje...'".

E ela conta umas palavras estranhas diferente das que conhecemos ditas pelo Filho do Homem. O pequeno documentos conta que o mesmo Pedro discorda do que ela fala e diz não acreditar que o Mestre tenha lhe dito isto, porém Mateus defende a mulher e termina assim: "Levi respondeu a Pedro: 'Pedro, sempre foste exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como adversário. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador a conhece bem. Daí a ter amado mais do que a nós. É, antes, o caso de nos envergonharmos e assumirmos o Homem Perfeito e nos separarmos, como Ele nos mandou, e pregarmos o Evangelho, não criando nenhuma regra ou lei, além das que o Salvador nos legou.'
Depois que Levi disse essas palavras, eles começaram a sair para anunciar e pregar".
Bem este pequeno documento apócrifo não muda nada, mas me parece ser mais um avanço do ser humano no longo caminho que viemos percorrendo para nos conhecermos e entendermos a melhor forma de nos relacionarmos, especialmente com os do outro sexo.
Foi o que Madalena disse num trecho de discurso: "O que me subjugava foi eliminado e o que me fazia voltar foi derrotado..., e meu desejo foi consumido e a ignorância morreu. No mundo fui libertada de outro mundo; de um tipo fui libertada para um tipo celestial e também dos grilhões do esquecimento, que são transitórios. Daqui em diante, alcançarei em silêncio o final do tempo propício, do reino eterno'. Depois de ter dito isso, Maria se calou".

domingo, 19 de julho de 2009

Conhecendo as cercanias de um buraco negro


Estou lendo Conceito de Iluminismo, de Theodor W. Adorno. Logo no início ele explica o que é o Iluminismo: “O programa do iluminismo era o de livrar o mundo do feitiço”. Mais adiante ele diz que apesar do avanço que as pessoas sequiosas de respostas deram ao resto da humanidade ele admite que a maioria ficou impermeável as novas idéias levantadas. Uns por serem reacionários: “os adeptos da tradição que acreditam que outros sabem o que eles próprios não sabem” e, assim, se deixam levar por líderes tão ignorantes quanto eles. É o que Jesus disse: “Um cego guiando outro cego”. Outros porque são filhos da “credulidade, da aversão à dúvida, por pedantismo cultural, por receio de contradizer, por parcialidade, por negligência na pesquisa pessoal e pela tendência a dar-se por satisfeito com conhecimentos parciais”.
Estou falando da opinião de Adorno por causa do que soube traduzindo a revista Astronomia: a insistência dos cientistas em compreender os buracos-negros.
Os astrônomos conseguiram estudar o entorno de um enorme buraco negro nas profundezas do núcleo de uma galáxia ativa distante usando novos dados do Observatório Spaceborne XMM-Newton que não "ve" luz e sim detecta raios x. A galáxia conhecida como 1 H 0707-495 foi observada durante quatro períodos de 48-hora-órbitas do XMM-Newton em torno da terra, a partir de Janeiro de 2008. O buraco negro no centro da galáxia está parcialmente obscurecido por nuvens de gás e poeira, mas estas observações atuais revelaram as profundezas íntimo da galáxia.
Andrew Fabian, da Universidade de Cambridge na Inglaterra, que encabeçou as observações e a análise do material coletado disse: "Agora podemos começar a mapear fora da região imediatamente em torno do buraco negro,". Um enorme buraco negro é invisível porque não emite luz, mas pode ser notado porque produz uma quantidade imensa de Raios x. Átomos de ferro, entre outros elementos, emitem raios x com uma série de aspectos característicos: velocidade dos átomos de ferro em órbita, pela energia necessária para os raios X escapar do campo gravitacional do buraco negro e na vastidão em torno do buraco negro. Esses recursos deram aos astrônomos a capacidade de estudar os arredores que têm duas vezes o raio do buraco negro propriamente dito. O XMM-Newton detectou dois modelos das emissões brilhantes nos raios X de ferro refletido que astrônomos nunca tinham visto juntos em uma galáxia ativa. Esses modelos brilhantes são conhecidos como o ferro L e linhas de K e ficam tão brilhantes somente se houver uma alta abundância de ferro. Encontrar tanto nesta galáxia sugere que o núcleo é muito mais rico em ferro que o resto da galáxia. A emissão de raios-X varia em brilho com o tempo. Durante a observação, a linha de L de ferro foi brilhante o suficiente para que o observatório XXM-Newton seguisse suas variações. Uma análise estatística meticulosa dos dados revelou uma defasagem temporal de 30 segundos entre alterações na luz de raios-X observados diretamente e os vistos após sua reflexão no disco galático. Este atraso no eco ajudou os cientistas a medir o tamanho da região refletora, o que conduziu a uma estimativa da área em torno do buraco negro de 3 a 5 milhões de massas solares. As observações das linhas K dos raios x de ferro também revelam que o buraco negro é capaz de engolir o equivalente a duas Terras por hora o que ultrapassa o limite teórico da sua capacidade alimentação. A equipe continua a controlar a galáxia usando sua nova técnica. Fabian, diz: "O crescimento do buraco negro é um processo muito confuso devido aos campos magnéticos que estão envolvidos. Longe de ser um processo contínuo, um buraco negro se alimenta de seu entorno de um modo muito confuso."
A nova técnica permitirá que os astrônomos mapeiem o processo em toda a sua complexidade, tornando conhecidas regiões anteriormente invisíveis nas bordas deste e de muito outros enormes buracos negros.
Vale a pena um sujeito comum saber isto? Não sei.

sábado, 18 de julho de 2009

Suspendi minha assinatura do jornal.


Suspendi minha assinatura do jornal. Gostava de ler os articulistas, Arnaldo Jabour, Ancelmo Góes, Miriam Leitão e Arnaldo Bloch, mas depois de meses não se tem mais o que aprender com eles. Dizem que a existência ficou tão corrida que mesmo um cronista que escreve profissionalmente e é pago para pensar e nos mostrar uma visão original e própria da vida não tem mais tempo de refletir, então ficou tudo igual, uma pausterização que parece ser pensada para nos fazer burros e nos controlar. A propósito disto o filósofo Adorno tirou uma idéia nova de um trecho da Odisséia, de Homero, aquele em que o navio de Ulisses passa pelas sereias. Dizia a lenda: quem ouve o canto delas se desvia de seu objetivo e se perde. Assim, o intrépido capitão para não perder nenhum de seus marinheiros ordena que todos tapem bem os ouvidos com cera e se empenhem nos remos sem olhar para os lados, enquanto ele mesmo manda ser amarrado ao mastro; Ulisses ouvia o mavioso canto mas não podia segui-lo. O filósofo vê nesta história da mitologia o controle sobre o que se ouve, lê ou vê, em nosso tempo. A massa, o homem comum, trabalhador, igual aos marinheiros da nau, é cada vez mais exigida no trabalho e cansada e sem tempo pouco pode pensar ou cuidar de seu desenvolvimento como pessoa. A minoria que cabe dirigir a sociedade, informar e ensinar, como Ulisses, fica amarrada a tantas obrigações que se torna controlada pelo sistema e não consegue nos apontar um caminho melhor para esta existência. Até tomam ciência de novas idéias, de uma visão inovadora, mas não podem aprofundar-se nela, desenvolvê-la e passar para aqueles sob sua influência. Assim vivemos cercados por pensamentos, no rádio e televisão, no cinema e jornais, nas músicas, nas igrejas e câmaras políticas que muito pouco ou nada nos diz que nos desvie desta corrida da manada em que nos metemos. Correndo e correndo sem saber para onde e porquê.
Agora, o tempo de leitura – que aumentei – gasto com livros. Aí vale a pena. Como diz Roberto Carlos, “são tantas emoções” quando se lê um livro!