domingo, 19 de julho de 2009

Conhecendo as cercanias de um buraco negro


Estou lendo Conceito de Iluminismo, de Theodor W. Adorno. Logo no início ele explica o que é o Iluminismo: “O programa do iluminismo era o de livrar o mundo do feitiço”. Mais adiante ele diz que apesar do avanço que as pessoas sequiosas de respostas deram ao resto da humanidade ele admite que a maioria ficou impermeável as novas idéias levantadas. Uns por serem reacionários: “os adeptos da tradição que acreditam que outros sabem o que eles próprios não sabem” e, assim, se deixam levar por líderes tão ignorantes quanto eles. É o que Jesus disse: “Um cego guiando outro cego”. Outros porque são filhos da “credulidade, da aversão à dúvida, por pedantismo cultural, por receio de contradizer, por parcialidade, por negligência na pesquisa pessoal e pela tendência a dar-se por satisfeito com conhecimentos parciais”.
Estou falando da opinião de Adorno por causa do que soube traduzindo a revista Astronomia: a insistência dos cientistas em compreender os buracos-negros.
Os astrônomos conseguiram estudar o entorno de um enorme buraco negro nas profundezas do núcleo de uma galáxia ativa distante usando novos dados do Observatório Spaceborne XMM-Newton que não "ve" luz e sim detecta raios x. A galáxia conhecida como 1 H 0707-495 foi observada durante quatro períodos de 48-hora-órbitas do XMM-Newton em torno da terra, a partir de Janeiro de 2008. O buraco negro no centro da galáxia está parcialmente obscurecido por nuvens de gás e poeira, mas estas observações atuais revelaram as profundezas íntimo da galáxia.
Andrew Fabian, da Universidade de Cambridge na Inglaterra, que encabeçou as observações e a análise do material coletado disse: "Agora podemos começar a mapear fora da região imediatamente em torno do buraco negro,". Um enorme buraco negro é invisível porque não emite luz, mas pode ser notado porque produz uma quantidade imensa de Raios x. Átomos de ferro, entre outros elementos, emitem raios x com uma série de aspectos característicos: velocidade dos átomos de ferro em órbita, pela energia necessária para os raios X escapar do campo gravitacional do buraco negro e na vastidão em torno do buraco negro. Esses recursos deram aos astrônomos a capacidade de estudar os arredores que têm duas vezes o raio do buraco negro propriamente dito. O XMM-Newton detectou dois modelos das emissões brilhantes nos raios X de ferro refletido que astrônomos nunca tinham visto juntos em uma galáxia ativa. Esses modelos brilhantes são conhecidos como o ferro L e linhas de K e ficam tão brilhantes somente se houver uma alta abundância de ferro. Encontrar tanto nesta galáxia sugere que o núcleo é muito mais rico em ferro que o resto da galáxia. A emissão de raios-X varia em brilho com o tempo. Durante a observação, a linha de L de ferro foi brilhante o suficiente para que o observatório XXM-Newton seguisse suas variações. Uma análise estatística meticulosa dos dados revelou uma defasagem temporal de 30 segundos entre alterações na luz de raios-X observados diretamente e os vistos após sua reflexão no disco galático. Este atraso no eco ajudou os cientistas a medir o tamanho da região refletora, o que conduziu a uma estimativa da área em torno do buraco negro de 3 a 5 milhões de massas solares. As observações das linhas K dos raios x de ferro também revelam que o buraco negro é capaz de engolir o equivalente a duas Terras por hora o que ultrapassa o limite teórico da sua capacidade alimentação. A equipe continua a controlar a galáxia usando sua nova técnica. Fabian, diz: "O crescimento do buraco negro é um processo muito confuso devido aos campos magnéticos que estão envolvidos. Longe de ser um processo contínuo, um buraco negro se alimenta de seu entorno de um modo muito confuso."
A nova técnica permitirá que os astrônomos mapeiem o processo em toda a sua complexidade, tornando conhecidas regiões anteriormente invisíveis nas bordas deste e de muito outros enormes buracos negros.
Vale a pena um sujeito comum saber isto? Não sei.

sábado, 18 de julho de 2009

Suspendi minha assinatura do jornal.


Suspendi minha assinatura do jornal. Gostava de ler os articulistas, Arnaldo Jabour, Ancelmo Góes, Miriam Leitão e Arnaldo Bloch, mas depois de meses não se tem mais o que aprender com eles. Dizem que a existência ficou tão corrida que mesmo um cronista que escreve profissionalmente e é pago para pensar e nos mostrar uma visão original e própria da vida não tem mais tempo de refletir, então ficou tudo igual, uma pausterização que parece ser pensada para nos fazer burros e nos controlar. A propósito disto o filósofo Adorno tirou uma idéia nova de um trecho da Odisséia, de Homero, aquele em que o navio de Ulisses passa pelas sereias. Dizia a lenda: quem ouve o canto delas se desvia de seu objetivo e se perde. Assim, o intrépido capitão para não perder nenhum de seus marinheiros ordena que todos tapem bem os ouvidos com cera e se empenhem nos remos sem olhar para os lados, enquanto ele mesmo manda ser amarrado ao mastro; Ulisses ouvia o mavioso canto mas não podia segui-lo. O filósofo vê nesta história da mitologia o controle sobre o que se ouve, lê ou vê, em nosso tempo. A massa, o homem comum, trabalhador, igual aos marinheiros da nau, é cada vez mais exigida no trabalho e cansada e sem tempo pouco pode pensar ou cuidar de seu desenvolvimento como pessoa. A minoria que cabe dirigir a sociedade, informar e ensinar, como Ulisses, fica amarrada a tantas obrigações que se torna controlada pelo sistema e não consegue nos apontar um caminho melhor para esta existência. Até tomam ciência de novas idéias, de uma visão inovadora, mas não podem aprofundar-se nela, desenvolvê-la e passar para aqueles sob sua influência. Assim vivemos cercados por pensamentos, no rádio e televisão, no cinema e jornais, nas músicas, nas igrejas e câmaras políticas que muito pouco ou nada nos diz que nos desvie desta corrida da manada em que nos metemos. Correndo e correndo sem saber para onde e porquê.
Agora, o tempo de leitura – que aumentei – gasto com livros. Aí vale a pena. Como diz Roberto Carlos, “são tantas emoções” quando se lê um livro!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Um jeito de viver


O dia está uma pintura. Viajando de ônibus para Nova Iguaçu admiro a paisagem verde e azul dourada pelo Sol forte ao mesmo tempo que leio Brasil País do Futuro. Na já longínqua década de 1950 o escritor assim descrevia o brasileiro: “Em São Paulo, o operário, adaptado a uma organização européia e num clima mais favorável, produz exatamente o mesmo que qualquer outro doutra parte do mundo. Mas mesmo no Rio de Janeiro observei, centenas de vezes, pequenos sapateiros e alfaiates trabalharem até tarde da noite em suas acanhadas oficinas e deveras me admirei de como nas construções com um calor infernal, em que só o erguer o chapéu do chão já é um esforço, o difícil trabalho de carregar material continua sem interrupção em pleno sol. Não são, pois, absolutamente a capacidade, a boa vontade e a velocidade individuais que são inferiores. O que no conjunto falta é a sofreguidão européia ou norte-americana de por meio de esforço dobrado progredir na vida mais depressa; é, pois, antes certa falta de estímulo que mantém em nível baixo a dinâmica total. Os indivíduos aqui não querem muita coisa, não são sôfregos. Após o trabalho ou nas horas do trabalho, conversar um pouco, tomar café, é natural. Ter sua alegria na vida doméstica e no lar é para a maioria o suficiente. Todos os graus do bem-estar, da felicidade, combinam-se com essa calma e serenidade. Sucede freqüentemente, segundo ouvi de várias pessoas, que após o recebimento do salário, o trabalhador falta dois, três dias ao serviço. Cumpriu com diligência e presteza o seu serviço na semana anterior e ganhou o suficiente para, da maneira mais modesta, modestíssima, passar dois dias sem trabalhar. Para que então trabalhar esses dois dias? Rico não poderá ficar com esses poucos mil-réis; é, pois, preferível gozar calma e comodamente esses dois ou três dias. Talvez seja necessário termos visto a exuberância da natureza daqui para compreender isso. Ao passo que numa planície da Europa, triste e sem encantos, o trabalho é a única maneira de evitar a depressão".
Infelizmente nós brasileiros já embarcamos nesta correria européia, até no futebol. Agora, os cientistas e ecologistas dizem que a humanidade, se quiser sobreviver, terá que aprender com o jeito brasileiro de ser, tranquilo, sem invejar quem tem muito e produzindo o necessário para viver. São os ciclos da vida.
(a foto foi "emprestada" do site http://www.noturnafm.com.br/humor.htm )

domingo, 12 de julho de 2009

Mudando o modo de viver


A necessidade é a mãe de todas as coisas, sim, de todos os seres vivos. Outro nome dela é mãe natureza. Mas assim como a gestação de um novo ser exige desconforto e dor, o parto de uma nova maneira de pensar ou a aplicação de novas leis à sociedade requer negociações muitas vezes dolorosas. Foi como se deu com o fim da escravidão. O livro Brasil, País do Futuro, conta: "De ano para ano o problema da escravidão se torna o centro da discussão, cada vez mais forte se torna a pressão dos grupos liberais para de uma vez acabar com a 'negra ignomínia', mas, no mesmo grau, ou talvez em grau ainda maior, cresce a resistência dos círculos agrícolas, que, não sem razão, temem que uma medida tão súbita cause uma crise catastrófica ao país, de cuja economia nove décimos assentam no trabalho de escravos". É assim, parece que uma grande mudança vai acabar com a economia de um país, como se repete agora, no século 21. Quando os cientistas insistem que a emissão de gases poluentes está colocando a vida na Terra em perigo as indústrias teimam em dizer que mudanças na maneira de produzir vai gerar multidões de desempregados e acabar com a economia. A história se repete.
As pessoas sensíveis sofrem aguardando mudanças que demoram como, no tempo da escravidão, sucedeu com o imperador. O livro conta: "É imensamente penoso, para D. Pedro II, esse homem culto, em suas visitas à Europa, ante os grandes representantes da humanidade, cuja estima procura, ante um Pasteur, um Charcot, um Lamartine, um Vitor Hugo, um Wagner, um Nietzsche, ser considerado o soberano do único império que ainda tolera para os escravos o chicote e o ferreteamento". Quando com sua assinatura a herdeira, princesa Isabel, decreta o fim da escravidão o que não se mantém de pé é aquela forma de governo. "Quase sem ruído rola por terra a coroa imperial; também dessa vez, em que ela se perde, não é manchada de sangue, como quando foi adquirida; o verdadeiro vencedor moral é novamente o espírito brasileiro de conciliação”.
O livro Meio Ambiente (que estou lendo ao mesmo tempo) diz que quando o Clube de Roma, em 1971, avisou que o mundo tinha de parar a poluição e as nações ignoraram o aviso porque temiam confusão mundial “coube a delegação do Brasil liderar o movimento contrário a tese da estagnação, pregando a necessidade de uma maior conscientização dos povos da relação que existe entre o meio ambiente e desenvolvimento”. Liberal, o Brasil vai se adaptando e ensinando ao mundo como não é absolutamente impossível se conformar as necessidades de uma mudança no comportamento individual para que a humanidade continue.

sábado, 20 de junho de 2009

Descendo para Angra


Descendo a serra de Angra dos Reis, depois dos túneis, vejo as encostas cobertas de matas. Então reparo na Lua ainda no céu, são 8 horas. Meu pensamento dá um salto, lembro da teoria astronômica de que nosso satélite foi um pedaço arrancado da Terra por um choque cósmico muito tempo antes de surgir vida no nosso planeta. Começo a refletir sobre o tempo, talvez porque pouco antes estivesse lendo um comentário sobre Santo Agostinho e suas considerações a respeito de Deus. Para o patriarca cristão Deus existe numa dimensão onde não há tempo. Enquanto escrevo o ônibus já está em Japuiba, mas ainda estou descrevendo o que se passou em minha cabeça enquanto a condução fazia voltas lá no alto da serra. Veja como o tempo é caprichoso. Então, ainda descansando a vista nas encostas, imaginei como eram aqueles despenhadeiros quando tremendos cataclismos formaram aquelas penedias - bem mais agudas e despidas de vegetação -, e como depois de milênios sob a ação da chuva e dos ventos, do calor e do frio, e da intervenção das plantas e dos animais, como elas foram se moldando, as agudezas se arredondando e o tom marrom do chão seco ganhando uma cobertura com variadas cores, e ficando com o aspecto que vejo agora. Ainda lá naqueles altos percebi como é natural para uma pessoa simples, se admirando com o espetáculo da montanha vestida de matas verdes, emoldurada pelo azul pálido do céu de outono e tendo aos pés o mar acobreado, adorar a Deus como o criador de tão lindas coisas. E nos emociona tanto, com certeza, pela razão que Agostinho menciona quando diz: " Nele (no homem) estão contidos os princípios de todos os seres animados e de alguma maneira a totalidade do universo, e toda a beleza da criação". Ele quer dizer que somos parte, fomos feitos com pedaços dos materiais usados na feitura da rocha e da terra fértil, da braúna e da bromélia, da formiga e da abelha, do preá, da onça e do macaco, até mesmo dos gases que formam a atmosfera azul ou os sais que compõem o mar; por isto toda esta paisagem nos causa tanto bem estar. Mesmo o mais cético e menos sábio que atribui esta pintura a mãe natureza, ente mítico que comanda as leis da física e da química numa construção aleatória, também acha que tudo ficou muito bonita. Ainda outro, místico e romântico, que consegue ver nesta maravilha o trabalho de seres invisíveis, elfos, fadas, salamandras e outros, organizados sob a batuta dos orixás, igualmente se rende a esta lindeza. Mas tudo aconteceu com a permissão do velho mago, o tempo. Ele, o mesmo que me concedeu a oportunidade para escrever isto, sem pé nem cabeça, terminando em um momento tão diverso do que comecei e num lugar tão diferente daquela paisagem de Angra. (foto de Fernando Stickel)

Como o Brasil ficou para trás


Como foi que Brasil estando na frente de todas colônias das Américas até o final do século 17 deixou os EUA lhes passar a frente? O livro Brasil País do Futuro esclarece: "Ao
passo que os Estados Unidos há muito já se governam, ao Brasil não é permitido fabricar
tecidos, tem que obtê-los por intermédio da metrópole. Para intelectuais, para técnicos, para
industriais não deve haver lugar nem campo de ação no Brasil. Nenhum livro deve aqui ser
impresso, nenhum jornal ser publicado, e com a expulsão dos jesuítas tiram-se ainda do Brasil os
únicos indivíduos que difundiam um pouco de instrução. É preciso evitar toda e qualquer
ascensão econômica independente, toda e qualquer comunicação com o mundo".
Bem dessa razão já se sabia, os portugueses jogaram sujo com a gente, como ainda fazem quando os enfrentamos no futebol. Mas Stefen Sweig nos informa de outra causa: "Ainda ao tempo da proclamação da independência, na exportação levava o Brasil vantagem aos Estados Unidos da América do Norte, e as importâncias de suas vendas, em alguns anos, chegaram até a igualar-se às da Inglaterra. Mas no século 19 surge um novo elemento na economia mundial: a máquina. Uma só máquina a vapor em Liverpool ou em Manchester, que ocupa uma dúzia de operários, produz agora mais do que cem escravos e em breve produzirá mais do que mil. No momento decisivo em que se introduz o emprego do carvão, essa nova substância dinâmica para pôr em ação meios de transporte e máquinas industriais, não se descobre no imenso território do Brasil uma única mina de carvão. Todo quilo dessa substância tem que ser importado de longe e tem que ser pago caro com açúcar, cujo valor vai caindo rapidamente. Por isso todo transporte se tornaria dispendioso, e pela estrutura montanhosa do país a construção de estradas de ferro se retarda de irreparáveis decênios e mesmo depois só se vai operando muito lentamente. Numa época em que linhas férreas triplas ou quádruplas ligam o leste e o oeste, o sul e o norte dos Estados Unidos entre si, aqui no Brasil, cuja área é igual à desse país, nove décimos do território distam de trilhos quilômetros e quilômetros, e, ao passo que os vapores sobem e descem constantemente os rios Mississipi, Hudson e São Lourenço, raramente se vê no Amazonas e no São Francisco a fumaça duma chaminé. Por isso numa época em que na Europa e nos Estados Unidos as minas de carvão e as indústrias siderúrgicas crescem de ano para ano, o Brasil até boa parte do século dezenove permanece estacionado e impotente nos métodos do século dezoito. Sua situação econômica no início do século dezenove não deixa de ser, de certo modo, paradoxal, pois precisamente o país que possui mais ferro do que talvez qualquer outro, do mundo, tem que importar todas as máquinas, todas as ferramentas. Apesar de produzir algodão em extrema abundância, não pode deixar de importar da Inglaterra os tecidos de algodão. Como sempre no Brasil, grandes empates de capital que permitissem organizar as indústrias salvariam o país. Mas, desde que cessou o ouro, o Brasil tem falta de capital; por isso suas estradas de ferro, suas primeiras fábricas e suas poucas grandes empresas são construídas ou montadas exclusivamente por companhias inglesas, francesas e belgas, e o novo império, como colônia de grupos anônimos, fica entregue à exploração do mundo inteiro".
Foi assim que nós ficamos para trás. Deficiências políticas, financeiras e falta de um mineral, o carvão. Duas causas são atribuídas ao nosso povo – que nós mesmos menospresamos como pouco sério -, mas a outra foi alheia a nossa vontade. Veja os países árabes do golfo pérsico, vivendo em um deserto receberam da natureza a dádiva de imensas reservas de petróleo. Para quem tem uma visão espiritualista, estas benesses fazem parte de um amplo plano para a raça humana. O Brasil também foi conduzido para um papel no desenvolvimento do ser humano e
agora, mais preparados e com muitos presentes da natureza ainda guardados, quem sabe o Brasil se tornará um pais que vai liderar o mundo em que nossos filhos viverão.

terça-feira, 16 de junho de 2009


Citando o pensador Theodor Adorno: "A masoquista cultura de massa constitui a manifestação necessária da própria produção onipotente".
Veja bem isso. Produzir mercadorias tornou-se a grande necessidade de nosso mundo. No livro Meio Ambiente, mesmo tendo como principal tema este assunto diz: “Já no II e III Plano Nacional de Desenvolvimento, sentimos o interesse de preservar o meio ambiente sem comprometer o processo de desenvolvimento, tornando-se um desafio sério”. A poluição tem de ser controlada sem diminuir a manufatura de mercadorias.
É evidente que se precisam fazer objetos que atendam aos novos humanos que nascem todos os dias, mas o que os trabalhadores ouvem no "chão das fábricas" é outra coisa: Para manter seus empregos vocês têm de bater nova meta.
Assim lutando contra as máquinas que engolem postos de trabalho o operário vive num constante estresse. Na outra ponta o comprador do objeto fabricado precisa ser mantido o tempo todo sob uma estressante pressão psicológica que o induza a adquiri-los, ficando endividado e, assim, mais dependente do emprego que o desgasta tanto. É isto que Adorno chama de "cultura masoquista de massa".
Não se pode fazer nada contra esse círculo vicioso! Podemos. Precisamos dizer não ao desejo de gastar que foi implantado na gente como chip do mal e fazer o contrário do que mandou nosso presidente que já foi operário.. Também devemos lembrar que a premente necessidade de ter e de fazer está nos mantendo sequestrados. Vigiar, porque estão nos dominando e nos fazendo sofrer. Não podemos gostar dessa situação. Não somos masoquistas e se somos não continuaremos sendo. Com o pé no freio dos gastos vamos escapulindo desta armadilha. Fico por aqui, vou trabalhar. Preciso fazer alguém gastar para que eu possa ganhar o meu. Mas, de leve, venho baixando minhas metas e meus gastos, e desse jeito pressionando menos os outros.