domingo, 31 de agosto de 2008

Quero o teu voto

Meu camarada fique ligado.

Melhor, o mestre ensinou: “Vigiem e orem para que não sejam tentados”.

Uma boa história pode tirar o foco da gente e nos levar a tomar decisões que depois nos arrependemos. Depois que “vender uma idéia” ganhou o nome de “marketing” e foram estudadas cientificamente o que dá mais certo e o que funciona melhor na convicção dos outros o vigiar ficou mais necessário.

Hoje, neste dia de domingo que ainda não se definiu, não sabe se vai ser de sol ou de chuva, e que fiquei em casa sem pedalar, recebi do amigo Nelson uma piada que ilustra a importância de se examinar bem o que nos mostram.

Um senador morreu e chegou diante de São Pedro.

O guardador da Porta explicou,

- Quando chega aqui um político muito importante, o que é muitíssimo raro, tenho ordens de mandá-lo primeiro conhecer as opções.
- Quais são elas?
- Fazer uma visita ao Inferno e depois conhecer o céu.
- Não precisa, estou decidido a ficar no Céu.
- Senhor, ordens são ordens. Já devia saber bem o poder das normas!
- Se não tem outro jeito.
E assim o senador desceu ao Inferno. Ali encontrou vários políticos se divertindo numa partida de futebol e comendo churrasco regado a cerveja gelada. Um papo descontraído falando de muitas mutretas completou o dia e ele nem pode dar uma boa olhada em volta. Voltou à frente de Pedro que o mandou para uma visita ao Céu. Ali, em um ambiente de adoração os seres santos executavam diversas tarefas sem fim. Depois de um dia de conversas recheadas de devoção ao Eterno o senador volta ao Portal.
- Então, já se decidiu?
- Sim, gostei mais do Inferno. Não tinha idéia de que fosse assim.
- O Senhor viu tudo com bastante atenção?
- Não sou criança!
- Então vá! Chegando lá ele se defronta com um lixão onde pessoas se empurrão para pegar qualquer coisa para comer. O dono do lugar se aproxima e o senador reclama.
- Mas estive aqui ontem e o lugar era completamente diferente!
O responsável pelo local é curto e grosso.
- Acontece que ontem estávamos em campanha. Nesta ocasião fazemos tudo ficar bonito e só falamos de coisas boas. Depois que a gente consegue o voto do otário volta tudo a ser como sempre foi. Agora que conseguimos seu voto, bem vindo a realidade. ha-ha-ha-ha-ha

sábado, 9 de agosto de 2008

Encontro de Galáxias

Desde Tycho Brahe, que ainda não possuía o telescópio, as estrelas foram registradas e estudadas em suas particularidades e o Universo começou a ser entendido, não como sinais e prodígios para o ser humano, mas como intrincado enigma que o homem com sua razão talvez jamais compreenda completamente.
Passou quase 500 anos e agora os astrônomos com instrumentos estupendos conseguem assistir o espetáculo do Universo em movimento, formando e destruindo mundos e tornado a construí-los para eliminá-los novamente em um ciclo sem fim.
Neste ano de 2008 eles viram na posição de Aquários, há 90 milhões de anos luz de distância, um espetáculo eletrizante, duas galáxias se abraçando. Para ver algo a tal distância o ser humano precisou inventar instrumentos que Tycho Brahe nem imaginava, um espectógrafo com multi-objetivas acoplado ao telescópio Gemini, no alto dos Andes, no Chile. Um astrônomo “viu” aquela cena como se fossem dois esqueitistas que vindo de direções contrárias se dão as mãos quando passam um pelo outro. A galáxia à esquerda (em baixo) é registrada como NGC 5427 e a outra a NGC 5426. Este assombroso agarramento vai causar a transformação de ambas em uma só grande galáxia elíptica. Como diz no livro de Gênesis da Bíblia: “O homem se une a sua mulher e os dois se tornam uma só pessoas”. Deve demorar 100 milhões de anos para que se aniquilem como galáxias individuais e se tornem uma só grande massa de corpos celestes.
A aproximação delas duas começou em um tempo que aqui na Terra a evolução, seguindo um projeto divino, começava a fazer nascer primatas com novas características que levariam ao nascimento dos humanos. Foi há 60 mil anos.
Já se vê bem definido um braço da 5426 envolvendo sua companheira. Por esta ponte elas já compartilham gases e poeira que devem estar formando estrelas e planetas com material de ambas.
Este acontecimento é comum no Universo. Os astrônomos só agora se dão conta disso, mas muitas galáxias se unem assim. Nossa própria Via Láctea está se aproximando de Andrômeda e também vão passar por uma fusão descomunal. E nós, você e eu? Chegamos, olhamos rapidamente e sumimos? Creio que eu e você somos apenas um pedaço da vida de um ser eterno que verá esta cena fabulosa em toda a sua extensão.
“O Deus Eterno me criou antes de tudo, antes de suas obras mais antigas. Eu fui formado há muito tempo, no começo, antes do princípio do mundo. Nasci antes dos oceanos, nasci antes das montanhas, antes de Deus ter feito a Terra. Estava a Seu lado e era sua fonte diária de alegria, sempre feliz na Sua presença” (Provérbios 8:22-31).

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Minha neta e o pós-modernismo

O filósofo italiano Gianni Vattimo ensina que o modernismo acabou quando “a idéia de racionalidade central ou pensamento único” foi questionada pela opinião pública que passou a desconfiar das religiões e outras instituições e criticar o papel da família. Ergueu-se o estruturalismo, “todas as culturas possuem direitos iguais”, os norte-americanos e europeus não estavam no caminho certo enquanto africanos, asiáticos e sul-americanos perdiam-se numa estrada errada. Todos estam desenvolvendo um projeto de futuro.
Vi a realidade disso conversando com minha neta de 14 anos. Ela se queixava das reprimendas intermináveis do pai: “Vô, ele tem medo que eu faça as mesmas coisas que ele fez! Ele não entende que meu pensamento é diferente do dele”. O pós-moderno é um jeito de ver a vida em que não há mais verdades inatacáveis, o que não é outra coisa que “pretensão autoritária de pensar pelo outro e atentar contra sua liberdade”. É o famoso conceito relativista da física aplicado politicamente nas “democracias liberais em que vigora a liberdade de pensamento”.
Em outro tempo, quando minha cabeça era feita por dogmas religiosos, ficaria estarrecido de ouvir Pâmela falar: “Não sei se acredito em Deus. Os antigos achavam que um relâmpago era um deus e estavam errados, porque estão certos os que acreditam em Deus agora?” Parece até que ela leu Nietzsche que em Assim Falou Zaratustra, diz: “Sofrimento e incompetência; eis o que criou todos os deuses e todos os além-mundos. Ouve sempre muitos enfermos entre os que sonham e suspiram por Deus; odeiam furiosamente o que procura o conhecimento. Acreditai-me, meus irmãos".
Bem, se vivemos então neste momento histórico em que compreendemos que nada está completamente definido ou como dizia Heidegger: “Nós somos projetos e por isso precisamos de liberdade e espaços abertos para nos desenvolvermos”, como lidar com minha neta e seu anseio de auto-afirmação? Gianni diz que o caminho é a “discussão mais intensa dos pontos de vista e a participação ampla de cada um sem o que se asfixia a democracia. E nenhuma luta contra o terrorismo ou as drogas pode cercear o livre aprendizado de cada um”. Bem, vou dizer a meu filho para falar e deixá-la replicar também. Este é o modo de se lidar em casa com a mentalidade pós-moderna.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Como escrever e dizer alguma coisa


Qual deve ser a função de cada humano? Seja médico, ciclista, advogado ou escritor nossa missão deve ser estimular “a poesia do coração ou a prosa das circunstâncias da vida (quem destacou isto foi o filósofo Hegel)”? Em miúdos, nas relações entre as pessoas nosso impulso deve ser de humanizar o outro ou de bestializá-lo?
João Gilberto Noll, escritor gaúcho de O Cego e a Dançarina, Rastros de Verão e outros, e convidado para discutir a obra de Machado de Assis na FLIP de Paraty, acredita no que outro filósofo, Marcuse, disse: “que a cultura é a negação ao que é, a suprema renúncia diante de certo hedonismo”. Cultura é um intrincado conjunto de comportamentos, significados e idéias que grupos humanos juntaram para normatizar seu modo de vida. A intenção sempre foi criar degraus de ascensão do ser humano. Viver numa caverna queimando carne e grãos era muito próximo do animal. Ao aprender como fazer utensílios e ferramentas, cultivar a terra e colher seu alimento e edificar uma casa com móveis os indivíduos se afastaram mais das bestas e esse aprendizado se tornou norma. O homem tinha ascendido mais um degrau. E assim vem acontecendo. Mas quando vemos uma família vivendo num condomínio com as mais modernas técnicas de construção, com um banheiro que está muito distante do antigo matinho que escondia o defecar e cercado de móveis de lindo designer e roupas de tecidos especiais, tão diferente da roupa mal costurada feita de pele animal, e ainda assim comete uma agressão assassina contra um filho parece que o bestial dentro de nós continua forte e tudo que aprendemos foi só um verniz vagabundo que não serve de nada e é pura hipocrisia. Então, há os que entendem que ajudar o seu irmão é fazê-lo se confrontar com a besta que ainda dorme dentro de si. Assim pensa Noll: “Eu detesto o tom psicologizante do teatro ou da literatura, tom que acentua a visão rasa do humano”. Por isto a ficção dele, como em A Fúria do Corpo, explora a inutilidade e a inoperância da família humana, este pensamento é chamado de “literatura negativa”, termo formulado por Mallarmé, outro estudioso do comportamento humano. O enredo desse livro fala “da explosão da libido no ventre da miséria”. Uma vida dolorosa. “No momento em que expando esse universo mínimo até a tensão máxima acho que a ondas propulsoras desse pontinho humano poderão despertar a paisagem adormecida, já estrangeira para o nosso entendimento”. Para ele “a atividade ficcional é como levantar o tapete para mostrar o que fizemos da vida. Se a escrita não lhe der profunda vergonha talvez ela esteja insípida demais, inofensiva”.
Para onde está indo a humanidade? Somos o ápice da evolução, o plano final de Deus? O ser humano, o filho de Deus. Ou virá outra raça? Como é que cada um de nós pode contribuir para isso? Será que devassar a podridão em nossa volta é a melhor maneira de redimir o homem? Noll diz: “O que espero de qualquer escrita é que ela me devolva o espanto que a vida viciosa roubou”.
Para quem quer escrever ele ensina seu método: “Por isso talvez eu seja um escritor de linguagem e não temático. A linguagem é que vai abrindo o texto para a narrativa e não um assunto predeterminado”. Ensina aquilo que tantos escritores falam: “o medo do papel em branco”, o que vai ser colocado naquela página. Será que consigo exprimir meus pensamentos e desejos de um modo que os outros apreciem? Ele diz: “O início da escrita é um momento de aquecimento, de tatear no escuro, até que eu encontre o tom preciso da narrativa, graças ao exercício bruto da palavra, sem medo de aqui e ali extrapolar. Depois de terminar a história retorno ao início para trabalhá-la dentro da clave geral do livro, já que até ali esse começo era apenas um laboratório de ensaios”. E afinal o que vai surgindo na página em branco só vale a pena ser lido se não for parte do racional do escritor. “A trama vai se configurando à medida que a força do inconsciente se acelera, cresce. Não tenho a menor idéia de onde a coisa vai dar”. O racional surge na fase final da escrita: “Num segundo, num terceiro ou quarto momento aí vou trabalhar o texto com certa obsessão”. Aí, o que tinha de sair já está ali, para o bem ou para o mal. “Se há alguma qualidade literária que eu preze acima de todas é de fato a surpresa, a capacidade de captar a vida naquilo que ela tem de mais arredio”. Daí, como nos livros dele, as pessoas que surgem são sacudidas pelos instintos mais baixos, mas conseguem sobreviver a eles.
É, talvez nesta “literatura negativa”, pelo espanto que ela nos causa, a gente veja melhor para onde estamos indo.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Superioridade


Quando a gente anda nas trilhas tem sempre alguém que se queixa: "o ritmo está muito forte", "minha bike não está legal", "eu não estou legal hoje", "a gente devia ter ido por outro caminho". O crítico literário José Castello diz que para este alguém "a realidade nunca se submete a seus propósitos", e o cara fica difícil de aturar.



Castello lembra (O Globo 21/6/2008 p 4 Prosa & Verso) um verso de Fernando Pessoa e coloca na boca desses sofredores: "Cansa tanto viver! Se houvesse outro modo de vida!". O tal sujeito está num beco sem saída porque o problema dele "não é o de mudar o modo de vida ou do estilo de vida, mas precisa se livrar da própria vida".



Ele fala deste tipo a propósito de um livro de Carlos Heitor Cony, O Ventre, e de seu personagem, um tal Severo que diz ter nojo da vida: "Desprezo pela própria criação, que inclui sempre o imprevisto e o desagradável". Cony captura um pensaqmento daquela mente tortuosa: "A vida não vai mudar nunca. A vida não vale a vida".



Castello explica que "o nojo pressupõe mais que aborrecimento e incômodo, é fruto de um sentimento de primazia que coloca a pessoa acima do mundo medíocre". E este parece ser o estado de espírito da maioria das pessoas de nosso tempo, se sentir dono de tudo, supérior aos outros. Este pensamento dificulta muito. Castello pergunta, se colocando no lugar de um tal: "Para que criar, se tudo que geramos é imperfeito?" Paraliza tudo. Não será este "observar as coisas desde o alto e não aceitar a planície da imperfeição" o âmago da temida depressão?



Este pensador que gosto de ler diz que precisamos "aceitar a idéia de que estamos sempre a rascunhar a vida" e conclui: "Até a ilusão deve ser ser imperfeita ou seríamos só uma massa burra".



Nunca mais vou me queixar na trilha, mesmo que um freio ruim me faça deixar um pedaço de meu braço numa cerca de arame. C'est la vie!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Fuja para os Montes


O mestre Jesus disse uma vez (Lucas 21:20-24): “Quando vocês virem Jerusalém cercada por exércitos fiquem sabendo que logo será destruída. Então quem estiver na cidade fuja para os montes e quem estiver no campo não entre nela”. Ele frisou a necessidade de fazer uma grande mudança na vida diante de uma crise iminente.
Estou falando isso porque junto com a conta de água chegou um prospecto fazendo várias sugestões: apagar a luz sempre que não estiver no cômodo, não deixar a torneira aberta enquanto faz outra coisa que não lavar e evitando o uso do carro sempre que possível. Já estamos tão acostumados a desperdiçar que a vontade é não fazer nenhuma mudança na nossa vida, mas o mestre insistiu: “Como serão horríveis aqueles dias para as mulheres grávidas e para as mães com criancinhas”.
O Brasil começa acordar para o aquecimento global e trouxe para trabalhar com Minc no Ministério de Meio ambiente uma mulher que dividiu com Al Gore o Nobel da Paz, Suzana Kahn Ribeiro, uma carioca que vai gerir a secretaria de Mudanças Climáticas. Ela chega detonando: “As pessoas tendem a culpar os madeireiros, mas esquecem de verificar se o carvão vegetal do seu churrasco é fruto do desmatamento” (O Globo 8/6/2008 p 11). É o não é preciso fazer mudanças em nossos hábitos e ficar mais alerta a destruição do meio ambiente?
Ela adverte que o aquecimento global vai elevar o nível do mar e aumentar as enchentes: “Os temporais afetarão mais quem está no alto da favela do que quem mora no asfalto. O aquecimento global vai agravar as desigualdades”. Ela também vem monitorando como o trânsito cada vez mais engarrafado das cidades contribue para o efeito estufa: “Ninguém mais compra geladeira que emite CFC. Agora, o governo já tem um programa de etiquetagem dos veículos que saem de fábrica com os percentuais de poluição produzidos pelos motores”. Ela espera que o brasileiro comece a pensar como os norteamericanos e europeus que estão abandonando os carrões por modelos econômicos.
Em outro campo ela está preparando um plano nacional para capturar o metano produzido nos lixões sendo aproveitado como fonte de energia. Não se pode desperdiçar mais nada. Para dar o exemplo à iniciativa privada ela vem trabalhando para que os prédios usados por repartições do governo evitem desperdício de água e energia, só comprem móveis com madeira de procedência correta e outras atitudes que vão demandar uma consciência mais ecológica das pessoas.
Bem a gente que anda de bicicleta pelas trilhas da roça e participa de iniciativas de divulgação do uso da “magrela” dentro da cidade – participamos de duas este mês – está contribuindo um pouco para evitar que nosso planeta fique cercado pela poluição como Jerusalém foi cercada pelos exércitos romanos. Temos de participar “fugindo para os montes”. Mudando nossos hábitos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Aqui qui nóis mora


Quando se anda de bicicleta em noite de lua cheia olhando para o chão não se vê bem a trilha luminosa que se estende lá em cima no céu, a Via Láctea. A última edição da revista Astronomia disse que o primeiro a tentar mapear esta galáxia, da qual a Terra faz parte, foi William Herschel, em 1785. Contando as estrelas nos quatro cantos do céu ou em 600 sentidos diferentes calculou que ela fosse no feitio de um prato oval e com um comprimento em sua parte mais longa do que mais tarde se nomearia como 6.000 anos-luz. Mais de dois séculos depois, em 1951, William Morgan do Observatório de Yerkes traçou um novo perfil para nossa galáxia. Estudando as estrelas por sua emissão de calor explicou que ela tinha a forma de um disco com três braços em forma de espiral e nomeou cada um pelo nome de suas constelações principais: Perseus, Orion, e Sagitarius.
Agora, com exames de rádio, traçaram a forma do gás galáctico solidificado que mostrou um retrato mais definido de nossa galáxia: é uma espiral com quatro braços proeminentes chamados Norma, Scutum-Centaurus, Sagittarius, e Perseus. O braço que Morgan denominou Orion, onde está o Sol e nossa Terra, é identificado agora como um apêndice de gás e poeira situada entre os braços do Sagittarius e do Perseus.
"Traçar os braços espirais é muito difícil.", diz Robert Benjamin da universidade de Wisconsin-Whitewater, "Por muitos anos, os astrônomos de diversos povos criaram mapas da galáxia inteira baseada em estudos de apenas uma seção dela ou usando somente um método. Infelizmente, quando os modelos dos vários grupos foram comparados, eles nunca concordavam.”
Benjamin e seus colegas aplicaram um exame infravermelho (chamado RELANCE) que incluiu mais de 100 milhões de estrelas ao longo de uma área de 130° do céu. Os astrônomos mediram a densidade das estrelas e detectaram uma overdensidade no sentido do braço de Scutum-Centaurus, que começa no centro da Via-Láctea e se prolonga em sua volta. Mas não viram nenhuma quantidade correspondente no número de estrelas associadas as posições previstas dos braços de Sagittarius (mais afastado do centro) e do Norma (mais próximo do centro).
Assim, os novos resultados indicam que a Via-Láctea tem dois braços principais, Scutum-Centaurus e Perseus (mais afastada do núcleo da galáxia), e uma aparência comum às galáxias em espirais. Neles dois estão grandes densidades de estrelas novas brilhantes e gigantes vermelhos mais velhos. Os braços Sagittarius e Norma parecem ser menores e formados por gás e bolsões de estrelas novas.
Uma outra pesquisa encontrou um braço espiral incomum a aproximadamente 10.000 anos-luz do centro contendo aproximadamente 10 milhões de sóis formados com gás de hidrogênio e, estranhamente, parecem vir ao nosso encontro a uma velocidade de mais de 190.000 km/h. Patrick Thaddeus, no centro Harvard-Smithsonian de astrofísica analisou os mapas de rádio do gás galáctico obtidos no observatório de Cerro Tololo no Chile e novos dados saltaram a vista.
Agora os astrônomos entendem que enquanto as espirais giram produz ondas de choque em grande escala que provavelmente esculpi os braços e ordenam seus movimentos externos. Um olhar detalhado nas posições e nas velocidades dos braços mostra que estas áreas orbitam a galáxia mais lentamente do que esperada.
Uma rede combinada de 10 telescópios de rádio conseguiu a melhor definição angular na astronomia da Via-Láctea até agora. Mediu o paralaxe das regiões deformadas pelas ondas de densidade dos braços em espiral que mais velozes alcançam e retardam as nuvens de gás comprimindo-as, o que provoca a formação de estrelas quentes, novas. A diminuição torna a galáxia mais elíptica do que a forma circular idealizada pelos astrônomos.
A procura de respostas, a indagação, em qualquer ciência ou profissão é o que leva à novas descobertas e conquistas. E apesar do estudo do Universo ter aprendido muito ainda há muita coisa para se descobrir sobre este amontoado de estrelas no qual a vida surgiu na forma humana aqui na Terra.