sábado, 6 de outubro de 2007


SALVANDO O RIO BRANDÃO

O nosso pequeno rio nasce num grotão cheio de magia na estrada Roma-Getulândia e corre pulando como um menino da roça cheio de saúde e alegria.

Mas depois de andar um bocado sofre uma terrível agressão do poder público de nossa cidade que não encontrou uma solução melhor para eliminar o chorume do infernal lixão desse povo laborioso e rico do que joga-lo nas águas límpidas do Brandão.

Depois ele anda mais devagar pelas terras da fazenda Sta. Cecília. Rola intoxicado, fedendo, um velho relegado pelo povo que devia tomar conta dele. E passa pela Vila Sta. Cecília feio, espalhando uma terrível catinga que faz os moradores bem-sucedidos que moram em seu entorno torcerem o nariz.

E, assim morre triste e vagabundo o rio Brandão que está sendo tão maltratado pelo povo que devia tratar bem dele e desfrutar de sua beleza.

Conclamo os cidadãos de Volta Redonda a mostrarem sua educação, cidadania e consciência ecológica salvando nosso rio Brandão de seu destino trágico de ser apenas um esgoto de nossa sujeira.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007


Vivendo em Cidades

Quando se lê o livro Quem Roubou o meu Queijo? Aprende-se a vencer o medo e avançar para novas conquistas e mudanças, mas o que realmente me tocou nele foi a chave para nos sobrepormos ao medo: ter uma idéia clara das mudanças que estão ocorrendo em nossa volta.
Então, no O Globo de domingo li o artigo Planeta Favela comentando a visão de mundo do historiador Mike Davis que também é um teórico da moderna urbanização. “É um fato épico, pela primeira vez na história a população urbana é maior que a rural, mas o mais importante é a dinâmica por trás desta estatística. Desde 1950, 2/3 do crescimento da humanidade foram para as cidades e até 2060, quando a população humana atingirá seu máximo biológico, 10,5 bilhões de pessoas, todos os novos habitantes do planeta, a quase totalidade dos nascimentos acontecerá dentro das cidades”.
Um comentário. Os religiosos conservadores entendem que a ordem que Deus deu a raça humana: “Tenham muitos e muitos filhos, espalhem-se sobre a Terra e a dominem”, indicava que seu desejo é que a nova espécie dominante do planeta não ficasse aglomerada em cidades, mas vivesse no campo com bastante espaço entre as famílias. Esta interpretação é corroborada pelo que os humanos que sobreviveram ao dilúvio que inundou as terras do norte da Mesopotâmia, no que hoje é a Armênia, disseram: “Vamos, pessoal! Vamos fazer tijolos queimados e construir uma cidade que tenha uma torre que chegue até o céu. Assim ficaremos famosos e não seremos espalhados pelo mundo inteiro”. Este conceito serviu de incentivo para os nômades hebreus viverem em tendas mantendo-se afastados das cidades muradas e de seus costumes corrompidos.
Então, por séculos e séculos, ao passo que as cidades proliferavam e cresciam em tamanho transbordando para além das antigas muralhas, tudo o que acontecia de maléfico era atribuído ao aglomerado humano que por esta atitude desobedecia a uma ordem divina. As pragas, a seca e a fome e as guerras que dizimavam milhares de vidas tinham como causa o amontoado humano nas cidades.
Agora, este pensador apoiando a idéia antroposófica ensina que serão nas cidades que os humanos conseguirão “lidar com a mudança do meio ambiente e com o desafio do aquecimento global. Elas são a maneira mais eficiente de se viver em um mundo de recursos limitados”. Sua visão da situação é que se os humanos ainda vivessem em maior proporção no interior, a degradação dos rios, queimadas e gastos de energia seriam maiores do que vivendo todos numa grande concentração urbana. Porém, Davis acha que as cidades precisam passar por uma “reconstrução” tanto urbana, quanto na forma de vida das pessoas, como na ética: “É preciso recriar esperança, igualdade e oportunidade para todos”.
Há muitos anos, quando morava no Rio de Janeiro, me dei conta das centenas de pessoas que interrompiam nosso happy hauer ou aproveitavam a parada no trânsito para oferecer alguma quinquilharia ou pedir uma esmola. O número de pedintes nas ruas triplicava. Senti que aquilo não ia acabar bem. É verdade que o samba e o futebol pareciam manter aquelas almas afligidas por tantas carências em paz, mas os poetas já percebiam que essa desigualdade estava alimentando ressentimentos. Como diz este samba:
Lata d’água na cabeça
Lá vai Maria, lá vai Maria
Sobe o morro e não se cansa
Pela mão leva a criança,
Lá vai Maria.
Maria lava roupa lá no alto,
lutando pelo pão de cada dia,
sonhando com a vida no asfalto
que acaba onde o morro principia.
O urbanista Davis insiste que precisa acontecer uma “grande transferência de recursos de uma parte da sociedade para outra”. Uma consciência socialista pode ser uma solução, outra parece ser a que Lula e outros presidentes sul-americanos têm feito: complementar a renda dos mais pobres, além de ser dado mais disponibilidade de estudo, projetos culturais e esportes para todos. Desta forma, havendo mais equilíbrio entre as classes dentro de uma cidade os conflitos e o crime diminuiriam.
Davis também chama atenção para as vantagens de ser morar em uma grande comunidade: “Cidades são capazes de fazer algo quase milagroso, que é criar luxos públicos. Que magnata pode ter uma biblioteca do porte da Biblioteca Nacional ou um espaço público como uma praia (como Copacabana ou a Barra) ou uma grande piscina pública (como o Parque Aquático, de Volta Redonda)”.
E ensina que o governo precisa educar maciçamente o povo para aprender a zelar pelo entorno de sua casa mantendo limpos e bem cuidados os rios, as ruas e as praças públicas. Respeito pelo direito dos outros no trânsito e nas relações comerciais é fundamental para a convivência pacífica. Tudo que se faz tem de ser bom para ambas as partes. E para os criminosos natos é preciso uma vigilância e punição rigorosas. Assim se pode viver bem numa cidade.
Assim, é preciso ter esta grande mudança em mente: O espaço cada vez mais exíguo entre as pessoas só vai aumentar, então precisamos nos moldar a isto e nos comportarmos e nos prepararmos para tudo que vai significar em termos de mudanças e oportunidades.

sábado, 1 de setembro de 2007

O subprime e as vantagens indevidas


Lendo a comentarista de Economia de O Globo, Míriam Leitão, falando a respeito da crise financeira da moda, os financiamentos imobiliários nos EUA, o subpirme, me veio a vontade de escrever sobre uma norma que tem norteado minha vida, às vezes.
A Contabilidade, ciência exata baseada na Matemática, fez milagres na Economia que, dizem alguns entendidos, deixaram as próximas gerações numa corda bamba.
Na antiguidade os ativos eram bens físicos que qualquer humano conseguia produzir ou criar: saco de milho, vasilha, carneiro, arado, cavalo, vestimenta, etc.
No sistema de escambo ia o carneiro vinha uma mesa, o fazendeiro fazia uma troca com o marceneiro e cada um continuava com o mesmo número de ativos.
Mas quando o fazendeiro precisava de uma roupa e o trigo só seria colhido dentro de alguns meses e ele conseguia um crédito com o costureiro, vinha túnica e o saco de trigo ficava prometido. Os ativos continuavam iguais até que um artesão mais sabido descobriu outro ativo, o juro. O trigo sendo entregue depois a roupa custava 10% mais. O tempo de espera era um outro bem.
Quando os senhores feudais criaram as moedas a economia deu um salto, duplicou. Eles precisavam pagar por outro ativo, o serviço, o trabalho despendido por um soldado, por um carpinteiro, um cavalariço ou outro qualquer profissional. O dinheiro do fidalgo era bem recebido porque tinha respaldo: suas terras, seus castelos e até seu título. Ativos físicos e de honra.
O trabalho, a arte, aptidão agora valia bens, eram ativos abstratos que geravam ativos físicos.
Depois surgiu o sistema bancário e a economia deu outro salto, multiplicaram-se os ativos. O granjeiro vendia alguns patos e botava o dinheiro no banco. Ele tinha esse ativo lá guardado para a hora que precisasse. Mas o banqueiro pegava seu dinheiro e emprestava ao artesão de couro para comprar material para os trabalhos que ia confeccionar. O mesmo virava um outro ativo. A economia dobrou de tamanho. O ser humano prosperava.
Mas, às vezes, o crédito ou o próprio dinheiro falhavam. A safra fracassava e não tinha trigo para entregar, ou o senhor feudal era derrotado e um rival assumia toda sua herança e não honrava o valor das moedas cunhadas pelo senhor anterior, ou o artesão de couro pagava e não recebia sua mercadoria ou era roubado. Muitos ativos viravam pó.
Surgiram em boa hora as companhias de seguro. O proprietário de um ativo pagava um dízimo mensal para protegê-lo e o bem estava segurado: a safra a ser colhida, o rebanho, o estoque de mercadoria e até o dinheiro no banco.
A humanidade juntava bens tangíveis e imateriais que lhe davam mais conforto durante a vida ativa e até um repouso na velhice.
Mas sempre que nestes negócios não se jogava limpo, com transparência como se diz agora, os bens ficavam sem nenhuma segurança, porque a honra e a justiça ainda são os maiores valores, mesmo que no desenrolar da vida não pareça.
É o que a Mirian comentava sobre os empréstimos subprime, com juros mais caros. O que encarecia o empréstimo era a falta de garantias dos tomadores: imigrantes ilegais que não trabalham com carteira assinada ou famílias que não tinham um rendimento compatível com as normas bancárias. E aceitavam os juros mais altos porque não tinham os meios que as outras famílias possuíam. Se alguma coisa desandava, sem garantias, só restava às financeiras tomar o imóvel e revendê-lo. Mas como o juro era alto, a venda do imóvel não cobria o débito e – coisa rara – sobrava para o banqueiro à perda de ativos.
Não é bem assim, como tudo neste mundo está interligado – e não estamos falando de física quântica – o banqueiro tinha repassado o valor do financiamento para um banco que queria trocar seu dinheiro por um ativo que rendesse um juro melhor e quando o comprador do imóvel não pagava e a casa era revendida por um valor menor, os depósitos bancários sumiam. Não some o dinheiro sagrado do banqueiro, mas o suado depósito que a costureira e o pedreiro colocaram lá. O subprime promete arrancar os ativos de muita gente.
Assim, temos de ficar atentos aos caminhos do nosso dinheirinho. Todo cuidado é pouco. A aventura é um perigo, a cobiça continua merecendo punição. Ou como dizia o poeta: “São demais os perigos desta vida”; ou segundo o sabido colunista social Ibrahim Sued avisava: “Olho vivo que cavalo não sobe escada”.

terça-feira, 28 de agosto de 2007


Absalão
Acabei de ler um livro, Absalão, Absalão, do escritor norte-americano William Faulkner (1897-1962). Quem conhece um bocado da Bíblia sabe da história de David e seu filho mais bonito, Absalão. É um velho drama que acompanha o ser humano, um ressentimento recôndito que cada homem tem por aquele que emprenhou a sua mãe e por meio dela transmitiu à outro humano suas características preservando sua imagem. Parente de outra tragédia que causa terríveis efeitos na sociedade, o pai que destrói a sua prole para salvar a sua vida, seus ideais e suas ambições.
O livro é difícil de ler porque o autor cria em torno do enredo um labirinto de acontecimentos que aparentemente só serve para explicar como o narrador ficou sabendo daquela história. Tirando este roupagem pesada surge uma história que se repete bem mais do que se pensa. Um garoto pobre, numa família grande, zanzando pelas ruas sem o que fazer se deparou com uma cena que o marcou pra toda a vida: um fazendeiro, sentado em sua varanda e servido por um negro de terno que tanto lhe trazia uma bebida gelada, quanto lhe abanava do calor e até tirava e colocava o seu sapato. Para um garoto que nunca tinha sorvido uma laranjada gelada e nem mesmo tinha um sapato pra calçar, ver alguém fazer essas pequenas necessidades para outro lhe botou na cabeça duas coisas: precisava ser dono de terras, de uma bela casa e de vários escravos; e tinha de se manter completamente distante da raça negra, não podia de modo algum misturar seu sangue com o deles. E como os adeptos do Segredo dizem hoje: seu desejo se tornou uma ordem para o Universo que cooperou para ele conseguir tudo o que queria, mesmo passando por cima de outros, da ética e das leis.
Então, tudo começou a conspirar contra ele: teve um filho com uma mulher que descobriu ser mulata, abandonou-a e ao filho; a mulher que escolheu para casar, só para ganhar um status na sociedade, foi sofrendo sem amor até a morte; e os filhos, um casal, acabaram se envolvendo com seu filho mulato que além de grande amigo do rapaz marcou casamento com a moça, sua meia irmã. E o homem, o David, que na história se chama Sutpen, decide jogar os filhos entregues a própria sorte para salvar seu sonho de ser um homem honrado, superior e que tinha empregados para lhe fazer a menor vontade. Acabou morto com uma machadada.
Mas no decorrer da narrativa Faulkner coloca pensamentos soberbos como esse sobre uma amizade: “Por isso não tinha a mínima importância qual dos dois estava falando, pois não era apenas a conversa que clareava tudo, que possibilitava a comunicação, mas um feliz casamento entre falar e ouvir, onde cada um, diante da necessidade, perdoava, tolerava e esquecia a falta do outro”. Ou defendendo a importância de levar o estudo até a universidade: “A cultura que o equipararia e poliria para a posição que ele queria alcançar na vida, como qualquer homem, ele poderia obter em qualquer lugar, até na sua biblioteca – se tivesse a vontade necessária -, mas há alguma coisa, uma certa qualidade na cultura que somente a vida monástica de uma universidade poderia lhe dar”. E o terrível pensamento que pode passar na cabeça de um filho que foi menosprezado pelo pai: “Como pôde ele ter permissão de morrer sem ter de admitir que estava errado e sofrer e se arrepender disso”.
Demorou a leitura deste livro grosso, mas me distraiu, ajudou a passar o tempo e vi certos aspectos da vida sobre um ângulo novo pra mim nos meus 63 anos.
Agora vou começar a ler cinco livros da autora Jean M Auel, romances sobre o homem primitivo, no Neolítico. Me amarro em ler sobre as dificuldades que os homens venceram naquela época.